Lécia Freitas
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Pessoas sensíveis associam emoções a circunstâncias. Assim, sofremos novamente quando ouvimos um determinado som ou percebemos um cheiro. Mesmo sabendo que não é o mesmo. Porque nada se repete da mesma forma. Mas a saudade nos faz imaginar isso. E a dor é muito maior. Porque acrescenta- se a certeza da finitude de um fato.
Lécia Freitas
Lécia Freitas
AGRADECIMENTO II
Agradecendo demais aos amigos que estão sempre me dando uma força e tentando me animar nesses tempos sombrios. Incluo os filhos que não deixam transparecer o quanto, eu sei, estou chata, o quanto a casa está triste, esquecida, apagada. A comida sem gosto.
Devo dizer que percebo as benesses divinas que tenho recebido ao longo da vida. Até por ter conseguido sobreviver, significa que as recebi a mãos cheias. Porque se os sofrimentos foram terríveis, a força e resistência para suportá-los, e superá-los, foram proporcionais. Vale aqui agradecer aos que passaram e que fincaram espinhos porque se não fosse por eles a casca não teria endurecido. Formou-se um invólucro duro, rugoso, como árvore de cerrado, mas necessário para me manter de pé. Certo que caí, muitas vezes. Por vezes, já disse um dia, esfolei joelhos e alma. Por vezes, me vi escorrendo pelo chão. Mas sempre encontrava algum alento e recomeçava. Havia uma preocupação enorme com a sobrevivência dos meninos, com o bem estar deles. Isso me motivava. O pensamento em mim, ficou para depois. Mas não é certo que perdi! Essa é a minha história, embora muitos não acreditem. Também não tenho que provar nada. Fiz o meu melhor, o meu limite para levá-la a termo e olhando ao redor, sei que consegui. Com dignidade.
O único questionamento que sempre fiz à vida é o porquê dessa poesia que me vai na alma. Se era para ser assim, se eu tenho tanto a pagar, por que não me fizestes mais dura, Senhor? Não sei de desígnios, mas sei de dor, de percepção de sutilezas. Feche as brechas de minha alma, Senhor, para que eu não sinta mais nada. Para que não se escorra, não se escape nenhuma emoção. Por que devo sentir as dores do mundo e perceber todas as miudezas da vida? Por que neste processo evolutivo a convivência com tanto amargor, com espíritos desprovidos de sensibilidade a entender o profundo, o doce, o delicado da minha alma?! Que fonte inesgotável de tanto sentimento diante do homem e de suas ações que embelezam o tempo, mas outras que dilaceram?! Por que as lágrimas nunca parecem ser suficientes, e ás vezes, é conveniente que sejam escondidas, para que não se as deturpem?
Aqueles céticos que duvidam da veracidade da minha história, realmente não me importam. E não conseguirão diminuir o valor de nenhum instante de tudo que vivi. Eu olho em redor e vejo. Eu recebo o abraço de amigos queridos que me parabenizam e dizem me ter como exemplo de superação. Isso me deixa sem graça porque eu não consegui sozinha, mas me dá um orgulho danado. Não tenho tantos amigos, mas alguns, até do outro lado do mundo, me oferecem carinho que eu recebo como uma graça, um tesouro. Agradeço demais. E me respeitam. Nesses tempos de misoginia, isso é muito importante.
E devo continuar. Ainda que não haja uma chuva de confetes a escorrer na avenida levando junto minha dor. Ainda que tenha um canto encravado na minha voz para um amor que não aconteceu e tanto carinho nas mãos, ainda assim devo continuar. Então, tire o seu insulto do caminho porque vou passar com a minha poesia, com a minha doçura e minha força de mulher até o fim do mundo.
Lécia Freitas
Meu amor por você está entremeado dos mais finos fios de ouro que tecem o tecido de todas as estações. Do brilho cristalino das águas de todos os riachinhos que correm céleres fazendo o seu caminho enquanto rolam as pedras contadoras das histórias das profundas da terra. Meu amor por você está impregnado do cheiro de todas as frutas dos pomares de lugares encantados; da essência dos óleos de jasmim usados em massagens das Deusas do Olimpo. Meu amor por você tem a melodia do canto do Uirapuru e de todos os pássaros das matas virgens; tem a dança das cores da alvorada quando acorda o mundo no tempo sem fim do Universo. E tem em si o eterno marcado em intensidade nas ondas que regem a vida no espaço infinito.
Lécia Freitas
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
DO QUE NÃO ACONTECEU
Não se pode dizer que tem
amor pela mãe. Nem lembra dela. Morreu cedo. Às vezes, vêm umas imagens que ela tenta capturar, mas não consegue.
Rapidamente as imagens burlam a vigilância e fogem. Nem sente falta dela.
Afinal não tem como sentir falta do que nunca se teve. Há um buraco, que ela
tenta ver do outro lado mas não tem como. É como um vácuo que não consegue
imaginar. Não consegue idealizar o que pode ser um beijo de mãe, um embalo.
Quando criança tinha muito medo de alma penada. E teve que enfrentar esse medo
sozinha. Todas as questões da vida, tanto as pequenas como as grandes, tentou
resolver por si. Decidiu de comum acordo consigo mesma o momento do primeiro sutiã.
E quando virou mocinha, tirou não sabe de onde o conhecimento sobre aquilo.
Algumas respostas vieram com o tempo. Outras nunca obteve. Quando foi mãe
também aprendeu tudo aos trancos. Mas essa é uma história para mais adiante.
Não se pode dizer também que
amou o pai. Não amou. Era um homem
tosco, bebia muito. Frequentemente surrava todos, sem motivo. Hoje, tem pena
dele pela invisibilidade de sua vida. Sente pena porque acredita que o pai
viveu sem saber porque veio a este mundo. Não se lembra de nenhum carinho do
pai, nenhuma palavra amiga, nada. Nenhum gesto de proximidade, quanto mais de
amor, de afeição. Tem uma vaga lembrança de um abraço que dera nele numa
ocasião que veio da capital onde trabalhava como empregada doméstica. Um abraço
truncado meio de lado, sem jeito. Do lado dela era real o sentimento, estava
com saudades. Não se acostumara com a vida em Belo Horizonte. Sentia falta do
quintal, das galinhas, das plantas. Do chão de terra.
Viveu assim, junto com os
irmãos em um ambiente sem amor, sem carinho. Pelos irmãos sente carinho,
preocupa-se com eles. Mais que isso, tenta compreender suas falhas e as próprias
falhas diante deles. Até tenta aceitar,
mas só até aí. Não é capaz de demonstrar mais nada. Será sempre uma pessoa
arredia.
Teve uma pessoa que amou, na
mocidade. Carregou esse amor por anos a fio, por décadas. Um amor não
compreendido, não correspondido. Numa época que namoro era muitas vezes, só de
olho. E foi assim que ela o amou. Nunca o tocou, nem a mão. Lembra das vezes
que foram ao cinema. De alguns filmes. E das balas que chupavam. Isso para ela
era uma prova de amor: ele lhe dava balas. Alguns presentes também que se
acabaram com o tempo, mesmo com o extremo cuidado. Mas são quase cinquenta
anos. Ele casou com outra, teve filhos.
E ela carrregou esta dor, em silêncio. Não falava nele, embora sonhasse de vez
em quando. E aí acordava com sentimento de culpa. Mas não tinha como evitar. Muitos,
muitos anos depois, ela o viu na rua. Percebeu então que o amor havia ficado lá
atrás. Havia uma saudade pelo que
passou. Sentiu uma doce tristeza. Aquele amor por muito tempo era tudo que
tinha e agora não tinha mais nada. Guardou as lembranças no fundo do peito e
seguiu com a vida. Afinal, o mocinho que via nos sonhos estava velho e enrugado
como ela.
Casou duas vezes, mais por
conveniência, por força das circunstâncias. Ainda assim, nas duas vezes pensou
que seria por toda vida. Não foi. Do primeiro casamento nem lembra. Separaram-se
com alguns conflitos, mas que logo se dissolveram. O ex-marido não é inimigo
nem amigo. A única coisa boa foi o filho com quem tem um elo inexplicável. São
iguais em muita coisa.
O segundo casamento foi seu
Karma. Não arrepende por causa dos três filhos, mas prefere nem lembrar do
marido. Foi um tempo de extrema miséria, absoluta miséria e violência. Ela e os filhos vivam com medo e
isso era muito ruim. O medo nos tira a dignidade, diminui nossa capacidade como
humanos. O medo tolhe o instinto da sobrevivência. E apenas algum resquício de esperança será capaz de
impulsionar uma tentativa de reação.
E foi com esse resquício,
com o mínimo de humanidade que ela pegou os três filhos menores e pôs o pé na
estrada. Durante um tempo não dormia com medo das ameças de morte feitas pelo
marido. Andava pelas ruas com os olhos dançando nas órbitas tentando ver além,
buscando todos os homens parecidos com ele, com medo de ser surpreendida. Ficava
sempre grudada nos filhos imaginando que ele os roubaria algum, ou que faria algum mal a eles, por vingança. Passou fome junto com os filhos. Aquela fome que o
estômago gruda nas próprias paredes. Pediu sobra de comida de porta em porta. E
catou muita comida no lixo. Foi um tempo terrível.
Mas nada nesse mundo é para
sempre. Aos poucos, trabalhando dia e noite, com um pé na frente do outro
conseguiu se equilibrar. Viu os filhos crescerem, engordarem. Até que perderam
aquela cor amarela de quem tem fome. Até que o medo acabou e começaram a viver.
É certo que as marcas ficaram. Algumas muito doloridas, que nunca vão se
apagar. Mas vão conseguir conviver com elas. É certo também que perderam muito.
Perderam a fé. Essa, nenhum deles conseguiu recuperar. São tristes,
desconfiados, os quatro.
Os filhos estão tentando
refazer o espírito e construir um mundo de sentimentos. Ela também. Depois de
anos de solidão percebeu que ainda pode ser feliz. Tenta esquecer os longos
anos de miséria e de humilhação. Tenta a
custo recuperar o tempo sem nenhum carinho, sem amor. Talvez consiga. Mas é
certo que mesmo se não conseguir, não terá vivido em vão. Nunca usou a
linguagem da ternura e da feição porque não a conhecera. Mas mesmo sem saber
demonstrar ela amou os filhos, amou o mundo, amou a vida.
Lécia Freitas
CORAGEM DE VIVER
Os dias
vão passando, felizes para alguns, mas horrorosos quando se percebe a ação do
tempo, quando ele escorre e diminue as possibilidade de se viver um estado de
coisas.
A
cada dia vemos novas rugas se acumulando como a moçoroca na terra que vai
destruindo tudo, nesse caso o tempo. Que não acumula nada, mas que, cruelmente
vai nos enrijecendo, apagando a alegria por se perceber tão claramente a impotência,
a solidão.
Envelhecer
é só para os fortes. Nos dois sentidos. A alternativa é pior, é claro. No
entanto, queremos ser felizes o tempo todo. E como a ação dele nos nega! Busca-se
compensações. Tolas compensações. O que existe mesmo são conformações. E um
agarramento com as duas mãos ao restinho de vida.
Há
sol, o dia está lindo, e há muitos pássaros no meu quintal. Eu ouço o som do
vento no capim aqui no fundo de minha casa. Ele faz um barulho assim shshshshs,
e é mágico. Também sinto a ação do vento nos sinos que tenho na varanda. Tudo
isso transmite tranquilidade. Porém o vento passando me mostra, claramente, o
tempo que se vai. E isso me enche de tristeza. Porque há uma muda espera de algo que não houve. Que não acontecerá.
A minha vida não foi em vão, realizei tantas coisas.
Mas ficaram faltando outras. Que não dependem de mim. Que eu lutei para
conseguir, ainda luto. Mas não dependem de mim. Então se diz, numa tola
tentativa, que devemos ser felizes com o que temos. Mas eu tenho para mim, na
realidade, que isso não é ser feliz. É uma compensação. Mais que isso, é um
engodo.
Não
podemos dizer que felicidade é inquietação, mas também não pode ser uma paz de
espírito total, como uma felicidadezinha maneira como diz o poeta. Felicidade
mesmo é aquilo que remexe tudo, tira tudo do lugar. Que sacode a alma da gente
eliminando mofos e restos de sentimentos embolorados. Que despenteia cabelos,
amassa roupas, e cola um sorriso na boca da gente. Que faz aparecer um cheiro
na pele não se sabe de onde e planta uma alegria desconhecida em todos os poros.
E a gente dança feliz. E como na música a gente solta foguetes quando sabe que
o motivo dessa felicidade toda já vem vindo. Enfeitamos nossa casa com rendas e
flores de bonina e enchemos o céu de balão esperando nosso amor. Tudo que
queremos é um amor. Não há nenhuma atividade física, ou espiritual, nenhuma
reunião de amigos, de aulas de artesanato, passeios em Aparecida ou Caldas
Novas que vá substiutir a alegria de se ver no olhar do amado.
Muitas
vezes perdemos oportunidades de viver isso por preguiça de enfrentar situações
novas. É preferível a tranquilidade da acomodação do que arriscar um sentimento
que pode dar errado. Mas aí não se vive. E o tempo passa, e a pessoa vai
embora sem saber, sem viver tanta coisa.
Por comodismo e por medo. Fazer o quê? Algumas pessoas não se importam de ter
uma vidinha menor, de somenos. É preciso coragem para ser feliz. É preciso
coragem para rasgar a alma, tirar o coração lá de dentro e entregar a outro
ser. É preciso coragem para repartir o amor que se sente por si mesmo.
Mais
que tudo é preciso coragem para viver, e admitir que o tempo está passando
depressa e estamos indo embora. Às vezes, a vida oferece a alguns poucos a
oportunidade de um amor, já no fim. Numa alegria merecida, isso sim como uma
compensação, diante do que se passou de triste na vida. A vida oferece um
sentimento como um unguento a sarar dores e trazer alívio e renovação em restos
de vidas insossas e solitárias. É preciso agarrar com as duas mãos, com o corpo
todo, com a alma, este sentimento. E ser grato por isso, porque é um mimo que a
vida oferece. A graça de viver um novo sentimento, sim, vai trazer uma
felicidade genuína e a certeza de que vale apena viver mais um pouco. E aí o
que importa mesmo é viver o momento presente. E já não importa a ação do tempo.
Lécia
Freitas
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
AO INFINITO
Dos papéis que desempenhei
na minha vida – e foram muitos – o mais importante, com certeza, foi o papel de
mãe. Porque além de formar o novo ser, a mãe é responsável pela disseminação de
um amor não dimensionável. E os homens estão precisando de amor. O mundo
precisa de amor.
Naturalmente que os pais
exercem um papel tão importante quanto, e também são capazes de tanto amor, e
de responsabilidade. Mas a mãe tem a linguagem da ternura e afeição que não é
íntima aos homens. E todos nós precisamos dessa linguagem em meio a este caos. Talvez
por ter feito também o papel de pai, que na época era necessário, eu não tenha
utilizado esta linguagem. E fui cobrada por isso. Então aproveito e peço
desculpas pela minha dureza. Pelas vezes que não ofereci um colo. Em que não percebi o pedido mudo do
abraço. Pelas vezes que não me comovi diante de lágrimas, algumas até engolidas
em silêncio. A meu favor digo que, por vezes, era eu a despedaçada. Era eu que
pedia o abraço, o colo. Fomos os quatro forjados na crueza da vida, mas
sobrevivemos. É claro que, por vezes, tivemos que colar pedaços, remendar
corações. E sempre que agimos assim ficam faltando partes ou repuxadas nas
costuras, que doem para todo sempre. Mas sobrevivemos.
Sempre tive consciência de
que esta é a minha vida e tinha que passar por ela. Nunca me revoltei pelas
dificuldades. Reconheço com gratidão as oportunidades, e o quanto me foi dado,
as muitas ajudas recebidas até de desconhecidos. E aquelas pessoinhas que
vieram para mim, são os esteios que a vida me deu, como compensação. Ainda bem
pequenos compreendiam a situação e ajudavam. Das lembranças que tenho, uma me
impressiona: meus filhos nunca me pediram nada. Nenhum brinquedo, nem uma bala,
nada. Sabiam da impossibilidade. Não havia choro, lamúrias, nada. Todas as
nossas forças eram direcionadas para a sobrevivência. Certamente, isso foi
fundamental para a formação de cada um.
Coração da gente é feito
floresta virgem que deve ser tratada com o maior respeito pela sua importância.
Deve ser observada pela sua beleza, mas pela sua fragilidade não deve ser tocada.
Se o fizer, faça com todo cuidado e com muito amor. Entretanto, uma mãe
conhece, a fundo, o coração de cada filho. A mãe sabe o que estão sentindo.
Entretanto, nos mantemos à distância, por respeito à individualidade de cada
um. Têm que aprender. É preciso saber esperar a procura. Quando acontece vamos
tentar mostrar o caminho. Porque não somos perfeitas. Apesar do amor, também
erramos. Meu maior erro foi a dureza diante da vida, justamente o medo de errar,
de não conseguir. Eu fazia o papel de homem, e não percebia minha filha, tão
mocinha ao meu redor. Tão pequena, tão frágil, porém o esteio mais forte. Nos
piores momentos de minha vida ela estava ali, sem lágrimas, em silêncio, amparando-me.
Além do reconhecimento, há uma admiração, um orgulho pelo que ela é, a mulher
linda em que se transformou, por dentro e por fora. Estes sentimentos, óbvio,
se estendem aos três meninos, pessoas de bem, que respeitam o outro. Meus
filhos, minha contribuição à humanidade! Estão sempre por perto me ajudando. Nestes
tempos sombrios em que há dor, manifesta, e vem tardia, mas como tsunami, eles
vêm com aquele carinho e preocupação que nunca recebi de ninguém. Minha filha
me cerca ensinado essas coisas de mulher que não tive oportunidade de ter. Quem
me conhece sabe que fiquei vinte anos sem usar uma roupa bonita, sem passar um
batom que fosse. O batom para mim é um símbolo: passo até para dormir. E ela,
hoje, presta atenção nessas coisas, fiscalizando, ensinando. E ouve minhas
queixas sobre desamores, incompreensões
e rejeições, das relações de hoje, do mundo de agora. Esse mundo em que não me
encaixo.
Acredito que ainda sou
necessária a eles porque ainda há armazenado todo aquele sentimento que não
cabia naquela época. Alguma coisa teima
em permanecer assombrando e temos que nos preteger uns aos outros. No entanto,
sei que um dia não serei mais necessária e tem que ser assim. Somente quando
isso acontecer terei findado o meu papel mais importante. Mas estarei aqui na
retaguarda. Assim como disse o Mestre Gibran: “nossos filhos são filhos da
nossa ânsia pela vida.” Somos o arco que retesa quando o Arqueiro lança a
flecha no infinito. Sejamos o melhor arco.
Lécia Freitas
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