domingo, 30 de março de 2014

CAPITÃES DA AREIA

RESUMO


            O livro "Capitães da Areia", de Jorge Amado, narra a história de um grupo de crianças abandonadas e a luta delas para sobreviverem nas ruas de Salvador, capital do estado da Bahia.
            O grupo contém mais de cinquenta meninos e eles vivem em um trapiche abandonado na praia. 
            Pedro Bala, filho de um grevista morto no cais, é o mais corajoso e capacitado para ser o líder do grupo. Professor, outro menino, era o único que sabia ler. Contava histórias para o grupo a luz de velas. Possuía grande talento para desenhar. Com isso ganhava algum dinheiro desenhando casais, nas ruas da cidade. “Gato”, vaidoso, elegante, e com ginga de malandro, era o mais bonito de todos. Apaixonou-se por uma prostituta com quem mantinha um caso. “Sem-Pernas” era um garoto coxo, que servia de espião, fingindo-se de órfão desamparado (e numa das casa que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim) para roubar, mesmo sem querer fazê-lo de verdade. “Volta-Seca”, afilhado de Lampião, tinha ódio das autoridades. Desejava ardentemente  tornar-se cangaceiro. Foi responsável pela mudança de “Pirulito”. Juntamente com os conselhos do amigo e por meio dos ensinamentos dos padres, “Pirulito” buscou uma vida mais correta, abandonando o roubo.
            Também fazia parte do grupo: “Boa-Vida”, garoto esperto que sempre participava dos assaltos e “Querido-de-Deus”, capoeirista, amigo de Bala.
A polícia perseguia os Capitães e a maioria das pessoas não gostava deles. Recebiam ajuda de D. Aninha, uma negra, praticante de Candomblé; de João da Adão, um grevista do cais. Também eram ajudados  pelo Padre José Pedro, castigado por seus superiores por ter se envolvido com o grupo e por ter escondido um dos meninos que contraíra a varíola.
            Com a epidemia dessa doença, morre a mãe de Dora e Zé Fuinha, ficando os dois sozinhos no mundo. Assim eles ingressam no grupo, onde, com o tempo, Dora passa a ser considerada a “mãe” dos mais novos e “mana” pelo outros. Para Pedro Bala, Dora era a noiva e ela retribuía.
            Após um assalto em que foram apanhados, Pedro vai para o Reformatório, onde é duramente castigado e Dora vai para o orfanato. O grupo se une e liberta os dois. Entretanto, Dora fica muito doente e vive poucos dias. Antes de morrer, ela e Pedro conseguem consumar o amor dos dois.  Pedro imagina então que ela transforma-se em uma estrela.
            Depois disso, cada um segue a própria vida. Padre José Pedro ganha uma capela e “Pirulito” vai  com ele, pois quer ser religioso. “Sem-Pernas” morre ao fugir da polícia. “Volta-Seca” vai atrás do bando de Lampião e torna-se um cangaceiro sanguinário. É preso e condenado por mais de trinta e cinco mortes. “Gato” vai com a prostituta Dalva para Ilhéus, cidade do sul da Bahia. “Boa-Vida” passa a viver em farras, amando cada vez mais a sua terra, Bahia. Professor vai para o Rio de Janeiro e torna-se um pintor. Os demais Capitães da Areia envolveram-se em greves e lutaram a favor do povo. Pedro Bala vai embora a pedido de Alberto, um estudante, para organizar os índios maloqueiros de Aracaju, capital do Estado de Sergipe. Barandão é o novo líder dos Capitães.
            Anos depois, Pedro Bala transforma-se em um ícone da luta do povo e todos clamavam  por ele.

Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Língua Portuguesa do Curso de Letras
 - FAPAM - Professora Cristina Mara
Créditos: Muito Bem!

Lécia Conceição de Freitas

RESENHA DE ARTIGO SOBRE CONCEITO DE ÉTICA


 Recomeço

            O autor, Peter Singer, observa que o pluralismo reserva um espaço para o resgate de um ideal estóico da dignidade moral em práticas da automodelação virtuosa encontradas em discursos eruditos e em leituras de autoajuda. Isso pode repercutir na formulação de uma verdadeira política pública de reversão de práticas imorais e antiéticas. Embora pareça impossível reverter o consumismo desenfreado, o sábio concilia elementos de autoeducação e autocontenção relevantes na hora de formular estratégias morais e políticas para o presente.
            O estudioso afirma que isso só é possível em pessoas hígidas mentalmente. Pode-se acrescentar: em pessoas sensíveis e de boa vontade, preocupadas com o destino do mundo. Porém, pretender que os jovens se interessem pelo assunto a ponto de realizarem mudanças é utópico, uma vez que a maioria deles ignora e despreza os valores éticos e morais. Para revigorar o ideal de dignidade humana, faz-se necessário que a humanidade lúcida restante apresente-o aos pequeninos, os únicos, realmente capazes, devido à virtude e probidades ainda intactas de proliferar em si mesmos e nos outros a cultura de uma vida mais ética, voltada ao bem de todos.
          Nesse sentido, é essencial operar nas crianças a formação do juízo crítico reflexivo, capaz de ajudá-las no discernimento entre o certo e o errado, o bem e o mal.
             Fica a pergunta sobre a viabilidade de um novo contrato social com finalidades éticas.
       Diante da realidade do mundo em que se constata a falta de ética em todas as dimensões do viver e fazer humanos, torna-se imprescindível um novo contrato social, visando aprimorar e desenvolver o sentido moral do comportamento e assim, influenciar a conduta humana. A formulação desse novo contrato, organizado e protagonizado por indivíduos hígidos mentalmente, deve ter a adesão de todos os segmentos da sociedade, inclusive o Estado na elaboração e cumprimento de leis mais justas e abrangentes a todos os cidadãos; as Instituições Religiosas, no sentido de colaborar na observância e disseminação dos princípios; os profissionais da Educação comprometidos com a verdadeira essência da profissão que é a de formar cidadãos plenos e capazes; e, principalmente, a família, que deve se encarregar de transmitir, e exemplificar, às crianças e jovens, todos os valores morais e éticos necessários para a sobrevivência  harmônica da Humanidade. Somente dessa forma seria viável um novo contrato com finalidades éticas, começando pela base, incutindo nos pequeninos o sentido primordial da ética: a universalidade do Bem.

Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Ética do Curso de Letras - FAPAM -
Professor: Geová Nepomuceno
Créditos: Total, OK!


Lécia Conceição de Freitas

A Expansão da Língua Portuguesa


   A Língua Portuguesa é uma das cinco mais faladas no mundo. Cerca de 180 milhões de indivíduos utilizam-na sendo a língua oficial, em pelo menos, um país de cada continente. São eles: República de Angola, República Federativa do Brasil, República de Cabo Verde, República da Guiné-Bissau, República de Moçambique, República Portuguesa, República Democrática de São Tomé, e Príncipe e República Democrática de Timor-Leste.
      Pertencente ao grupo das línguas românicas, a língua portuguesa teve sua origem no latim falado que se expandiu devido ao espírito de organização e poderio de Roma.
     No Brasil, foi imposta pelos colonizadores portugueses, embora houvesse, naquela época, outras línguas, das diversas tribos indígenas existentes e, em seguida, as múltiplas línguas africanas com achegada dos escravos. Também é devido a um processo de colonização que os outros países falam o nosso idioma e é este o único ponto em comum. Cada um deles tem seus costumes, sua cultura, suas crenças, etc.
    Embora sendo países distintos e distantes uns dos outros e apesar do  uso constante de outras línguas, dialetos e variantes linguísticas, a Língua Portuguesa tornou-se oficial nesses países devido ao poderio econômico e cultura mais avançada no país de origem.

Primeiro trabalho avaliativo apresentado à disciplina Língua Portuguesa do 1º Período do Curso de Letras - FAPAM - Professora Cristina Mara
Créditos: Muito bem!

                                                                                                                  Lécia Conceição de Freitas

sábado, 29 de março de 2014

A ÁGUA


        A questão da água em Pará de Minas perpassa por fatores políticos e humanos, os quais não nos são dado conhecer, apurar. Nós, a plebe ignara.  Há poucos dias falei  sobre isso referindo-me à água desperdiçada durante o carnaval, quando lavaram a avenida. Porém, acredito que o caso é mais complicado do que parece. Resta-nos rezar, pedindo aos céus que incuta bom senso aos responsáveis pela resolução do problema. E que faça bom uso dele.
        É fato que, realmente, a água está bem escassa. A edição da Revista SuperInteressante, desse mês de março, apresenta uma reportagem extensa e esclarecedora sobre o assunto. O autor, Salvador Nogueira,  faz um estudo, voltando  no tempo, para entender as causas das mudanças climáticas, aqui e em outras partes do mundo. Além disso, ele se baseia em pesquisas e dados do “Projeto Primo”, coordenado por José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e dos pesquisadores do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC) órgão da ONU. Os resultados são alarmantes, assustadores. Não é preciso ser estudioso ou entendido do assunto para perceber a gravidade da situação. E pelo visto, não há muito  a ser feito. Nesse caso, também devemos rezar, pedindo clemência pelas “lambanças” e estragos que fizemos ao planeta, pois, as conseqüências, sem dúvida,  podem levar a Humanidade ao mais completo caos. Naturalmente, uma delas é a falta d’água.
        Ainda assim, existem os céticos. Aqueles que acreditam que a água nunca vai acabar, que amanhã vai chover e tudo será resolvido. Que o nosso, é um país abençoado, que essas coisas só acontecem lá fora. Ledo engano.
        É fato que a água não vai acabar. Os fatores que possibilitaram a existência da água na Terra não sofrerão um retrocesso. A quantidade de água será sempre a mesma, porém ela será cada vez mais cara. Com o aumento da população e com as consequências de ações estritamente humanas, ficará cada vez mais escassa deixando de existir em algumas regiões o que provocará a desertificação, como já acontece em alguns pontos do Brasil, por exemplo          E existem os ignorantes. Vejo, por toda a cidade, as pessoas armazenando água. Penso que isso, além de ser uma falta de caridade, é também uma falta de consciência, total, sobre o problema. Enquanto a água está abastecendo as caixas de reserva nas partes mais baixas, ela não é suficiente para alcançar as partes mais altas da cidade. Grande parte da população fica prejudicada. Além disso, quando se armazena a água, cria-se uma ilusão de “já que temos de sobra podemos gastar”. Ainda se vê pessoas lavando quintais, passeios, carros... Aqui, no bairro São José, e em outros, também elitizados, como a região mais nobre  do São Francisco, além do Centro, é comum vermos água escorrendo pelo meio-fio.  E assim, não há economia; não há racionamento, efetivamente. 
     A sociedade deve se lembrar que a saúde está relacionada, intimamente, com a higiene. As pessoas, sem grandes recursos financeiros, que já lutam com uma Saúde precária,  não têm condições de arcar com mais esse ônus. Todas aquelas situações vistas pela mídia em regiões do mundo todo, e mais perto de nós como o Vale do Jequitinhonha, agora é real. Nesse momento, não vão adiantar doações tais como aquela roupa que você não usa mais, o brinquedo do filho que cresceu, a cesta de mantimentos dedutível do Imposto de Renda, etc. É hora de agir com Justiça e pensar no outro, de verdade. Pense que  cada litro d’água que você usa para deixar sua casa, seu carro, mais cheirosos e confortáveis, pode salvar a vida de alguém.

Lécia Conceição de Freitas



Bem que diziam


      Outro dia falei que ainda restam periquitos. É verdade! Mas, desses, de hoje, devem restar muito  mais, pois,  sempre os vejo, e ouço, por aí. O que é uma alegria,  nesses tempos cada vez mais loucos e empedernidos. E havia um, em alguma árvore, do Campo Santo. Indiferente à dor de quem estava ali, velando algum ente querido, cantava!
       Creio que ninguém sabia o que ele tinha visto. Na verdade, não pareciam interessados. Cada um cuidava de sua vida, os passantes, os moradores. Não queriam saber da vida alheia. Mas ele trinava alegremente! Talvez quisesse chamar a amada ou algum companheiro. Ou, simplesmente, cantar a manhã. O fato é que ele cantava e bem dizia.
     O pequeno cantor mudava de pouso e, assim, durante todo o tempo que levei para atravessar o quarteirão conseguia ouvir.   Acontecimento tão inusitado, no entanto, passava despercebido. Não se sabe por quê. Talvez essa proximidade cotidiana  tenha transformado o insólito  em algo banal e por isso não chamava a atenção. Hoje em dia, nem as crianças os caçam mais. Antigamente, havia alçapões, visgos, gaiolas, estilingues... Artefatos completamente desconhecidos pelos meninos, na atualidade.  Andam tão atarefadas com as novas tecnologias que desconhecem esse “prazer” dos ancestrais. Ainda bem, que para alguma coisa serve esse progresso!
        Descendo a rua, o trinado misturou-se ao barulho proveniente dos automóveis. Ainda que tentasse não consegui mais distinguir. Permaneceu lá, ao longe... Mas o certo é que me tocou. Não posso dizer que me alegra. Fica sempre uma tristezazinha, uma saudade de algo que não tive, de alguma coisa que não vivi.
      O que conforta é a certeza de que o encontrarei novamente. Esse ou aquele, vou, sempre, buscar  seu canto. E maravilhar-me!...

                                                                                                                Lécia Conceição de Freitas


sábado, 22 de fevereiro de 2014

ANÁLISE DE LUCÍOLA DE JOSÉ DE ALENCAR


A história de amor de Paulo e Lúcia
Dois dados ressaltam-se; a dualidade de Lúcia e a dissociação do amor carnal e o amor espiritual.
Paulo, pernambucano, 25 anos, formado, pobre, vem ao Rio de janeiro buscando se estabelecer. Lúcia, a cortesã mais bela do Rio. Na opinião da sociedade representada por Sá, Cunha e Couto, uma mulher devassa capaz de levar qualquer homem à loucura, muitos a desejam. Entretanto, Lúcia não fica por  muito tempo com um amante. Manda-o embora e ponto.  No dia seguinte está com um novo amante. Lúcia é uma mulher cara. Por isso é muito rica. Mas é uma mulher avarenta. Vende todas as joias que ganha. Jacinto a ajuda nessa tarefa. É uma mulher fria, irônica, porém capaz de gestos generosos como pagar o aluguel de outra cortesã que a ofendera na véspera. Cheia de sensualidade, ao mesmo tempo, é cândida, meiga como uma inocente menina. Somente Paulo consegue ver isso. Percebe seu caráter nobre assim que a viu. E começa a amá-la. E ele percebe, também, a dualidade  de Lúcia e não compreende, está sempre ofendendo-a e pedindo perdão. Ao mesmo tempo em que perdoa os desvios de Lúcia, as vilezas, tudo que ele considera que é traição. Paulo sente muito ciúme, mas reconhece o amor de Lúcia por ele e vai amá-la profundamente.
Ao chegar ao Rio Paulo quer andar, divertir-se, viver. Em 8 um impedimento no trânsito, conhece Lúcia. Chama sua atenção o perfil suave e delicado No que os cavalos do tílburi de Lúcia  saem de arranco, cai-lhe o leque e Paulo consegue restituir, o que faz com que ele se aproxime dela e consiga tocar a ponta de seus dedos enluvados. Ela lhe sorri.
Dias depois na festa da Glória com o amigo Sá, Paulo a vê e pergunta quem é aquela senhora. Sá diz então que ela não é uma senhora. É uma mulher bonita. Paulo se envergonha de sua ingenuidade. Ao ser apresentado a ela por Sá volta a se envergonhar por não dizer nada que realmente fizesse efeito. E note, realmente, a expressão cândida do rosto de Lúcia, seiu gesto delicado. Ele a corteja como se ela fosse uma senhora. Depois disso,Paulo a encontra no comércio, quando ela apenas faz-lhe um aceno com a cabeça. Dias depois no teatro, conversam amigavelmente.
Um dia, Paulo resolve ir visitá-la em casa. Ela a deseja mas não consegue manifestar isso. Conversam por algum empo e na saída Lúcia convida-o para voltar.  Paulo conversa com Sá que reforça a sua opinião sobre Lúcia e diz que o tempo gasto com a sua conquista é o tempo gasto em abrir a carteira. Basta dar-lhe brilhantes. Ao voltar à casa de Lúcia, ela está vestida  com a mesma roupa do primeiro. Como ele não percebe, ela cobra isso dele e diz que ele nunca mais a verá como daquela vez, pois agora ele já a vê com outros olhos, sabendo da sua condição de cortesã. Ela chora quando ele manifesta o desejo e ele se aborrece, pensando ser alguma coisa com ele,que ela não o quer. Lúcia então se transforma: de menina cândida em mulher fogosa e sensual. Eles vão até a alcova e se amam. Ele percebe que ela também sente um enorme prazer. Após o ato do amor, ao ver o corpo de Lúcia inerte, pasmo com os olhos vítreos, Paulo pressente que a vida logo o abandonaria e dá a perceber isso à ela. Ela responde que não se importa contando que tenham gozado de sua mocidade. “ De que serve a velhice às mulheres como eu?” Já na saída,Paulo se envergonha diante do olhar dela quando ele leva a mão à carteira. 
No teatro, conversando com Cunha ele lhe conta ter sido amante de Lúcia e que ela é uma pessoa avarenta, que deixa os amantes sem maiores explicações, tendo-o deixado porque tentara se esconder da esposa, uma vez em que se encontraram os três. Na ocasião, Lúcia mandou que ele ficasse com a esposa. Sá convida-o para uma ceia. 
Paulo  comparece à ceia e depara com Lúcia. Todos comem e bebem parecendo divertirem-se. Ao um dado momento Paulo percebe que Lúcia vai se expor de forma ignóbil e pede a ela que não o faça. Ela, entretanto sussurra-lhe que é preciso pagar a conta da ceia. Lúcia, então, fica nua diante de todos e faz posses sensuais como um quadro vivo o que desgosta Paulo, a ponto dele sair para o jardim. Ao voltar ele vê que Lúcia está prostrada. Mais tarde,quando a encontra no jardim,surpreende-se com o choro convulsivo dela. Ele sente pena e pergunta-lhe porque então faz essas coisas e pede-lhe que nunca mais faça. Ela diz que age assim por uma autopunição, mas que nunca mais fará aquilo. Eles então procuram um lugar retirado e se amam como se fosse pela primeira vez. Ela lhe diz que os beijos que ela lhe dá naquela hora são os mais puros que ela possa ter dado a alguém.
No dia seguinte, Paulo compra-lhe uma pulseira de valor e um par de brincos simples. Ao receber os presentes Lúcia não se entusiasma  com a pulseira deixando-a de lado, ao passo que fica alegre como uma criança com os brincos. Paulo não entende e acha que ela está fingindo. Ela pede a ele que fique com ela naquela noite.
Um dia Paulo encontra Nina em casa de Lúcia. Nina outra cortesã, ofendera Lúcia durante a ceia em casa de Sá. Naquela hora, no entanto,Lúcia está dando a Nina dinheiro para que ela consiga pagar o aluguel da casa onde mora. Ao conversarem sobre o assunto ,Lúcia diz que não quer falar sobre aquilo. E o que ela faz não é uma boa ação e sim ela quer se remir dos pecados. Ele vê o quanto ela pode ser generosa. Lúcia diz que o quer ali como seu dono e senhor. Ele passa a viver com ela e não entende as suas transformações. Ora menina , ora cortesã.
Paulo recebe um convite para uma festa e resolve aceitar. Lá encontra-se com Sá que o alerta, dizendo que toda a sociedade está falando do seu relacionamento com Lúcia e que ele vive à custa dela.  Sá diz  a Paulo que Lúcia tem que aparecer em festas, com seus vestidos luxuosos, sua beleza e que ele está privando-a disso. Ele fica indignado porque não é verdade, uma vez que ele sempre dá dinheiro a ela. Na saída, depara com Lúcia que alugara um quarto bem em frente à casa onde ele estava, para ficar observando-o de longe. Sente-se vigiado e não gosta,  briga com ela e vai embora.
Ele volta para o hotel, mas não por muito tempo, pois logo vai à casa de Lúcia e pede-lhe perdão, confessando não ser rico. Diz que não pode mantê-la com seus luxos. Lúcia responde-lhe que voltará a  sair e gastar para salvar a reputação dele. Mostra-se abalada ao dizer que um homem pode rolar com ela que não ficará com nenhuma nódoa. Porém se  quiser um afeto sincero de um homem honesto a sociedade não permitirá. Mais tarde,  ele a vê com Couto, em uma loja,e acha que ela agora é amante dele  e que ele está pagando suas contas. Paulo  sai com Rochinha, um conhecido, que lhe diz que Lúcia despreza Couto.
Paulo vai à casa de Lúcia e após ofendê-la, a obriga a ir a um baile  com Couto. Ele também vai ao baile e por despeito marca um encontro com Nina de modo que Lúcia possa ouvi-lo. Ele passa o resto da noite na porta da casa de Lúcia com ciúmes, mas ela não aparece. Paulo supõe que ela está com Couto. À tarde lembra-se do encontro com Nina e vai à casa dela para desculpar-se. Nina o recebe com beijos agradecendo a linda pulseira de brilhantes. Paulo percebe a trama de Lúcia e vai atrás dela. Ele a encontra desfeita, chorando e diz que não teve nada com Couto. Eles se reconciliam.
Um dia Lúcia sai e não diz aonde vai. No dia seguinte mostra-se adoentada. Uma mulher de nome Jesuína aprece para ajudá-la. Paulo não gosta da mulher e pede que ela vá embora. Lúcia concorda.
Lúcia vai abandonando a vida mundana e já não vibra como outrora. O amor carnal passa a ser como uma obrigação. Paulo não entende essa frieza e por vezes se exaspera.  Mesmo quando excitada por Paulo. É a doença que já se faz sentir.  Ela sofre calada, pois reconhece que "o amor para uma mulher como eu seria a mais terrível punição que Deus poderia infligir-lhe!". O grande sentimento que os unia, arrefece, dando lugar a uma amizade simplesmente. 
Paulo vê Jacinto em casa de Lúcia e pergunta a ela o que ele faz ali. Ela diz ser apenas um criado. Ele não dá mais importância ao fato. Porém, chegando sem avisar ele surpreende Lúcia no antigo quarto, onde recebia os amantes, conversando com Jacinto, que tem um objeto na mão como uma carteira. A cama está desarrumada. Paulo a insulta e vai embora. Algum tempo depois ele encontra Jacinto na rua e então fica sabendo que Lúcia estava negociando a casa, os móveis e que vai mudar-se para uma casa bem menor. Novamente ele volta e pede-lhe perdão.
O comportamento de Lúcia é cada vez mais sublime e heroico. Já não existe mais nada da antiga cortesã. E Paulo, por fim, entende essa nobreza de caráter e compreende o porquê das suas recusas. Ela lhe recusava o corpo porque o amava em espírito. E também porque já está doente. Paulo promete respeitá-la de ora em diante.
Lúcia um dia lhe revela todo o seu passado. Chamava-se Maria da Glória. Era uma menina feliz de 14 anos e morava com os pais, quando, em 1850, sobreveio a terrível febre amarela. Seus pais, os três irmãos, uma tia caíram de cama, Ela ficou só. No auge do desespero, resolveu pedir ajuda a um vizinho rico, Sr. Couto, que em troca de algumas moedas de ouro tirou-lhe a inocência. "o dinheiro ganho com a minha vergonha salvou a vida de meu pai e trouxe-nos um raio de esperança." Seu pai, porém, sabendo da origem do dinheiro, e supondo ter a filha um amante, a expulsou de casa. Sozinha, sem ter aonde ir, foi acolhida por uma mulher, Jesuína, que, quinze dias depois, à conduziu à prostituição, estipulando pela beleza de seu corpo um alto preço. O dinheiro, ela o usava para cuidar do que restava da família: "e eu tive o supremo alívio de comprar com a minha desgraça a vida de meus pais e de minha irmã".
Uma colega de infortúnio foi morar com ela. Chamava-se Lúcia. Tornaram-se amigas. Lúcia morreu pouco depois. No atestado de óbito, a heroína fez constar que a falecida se chamava Maria da Glória, adotando para si o nome da amiga morta. "Morri, pois para o mundo e para minha família. Meus pais choravam sua filha morta; mas já não se envergonhavam de sua filha prostituída." E todo dinheiro que ganhava, destinava-o à preparação de um dote para sua irmã, Ana, a qual passou a manter num colégio interno depois da morte dos pais.
Agora Paulo compreende ainda melhor as atitudes misteriosas e contraditórias que Lúcia tomava como cortesã. É que esse gênero de vida lhe parecia sórdido e abjeto. Ela suportava como a um martírio, uma autopunição, uma maneira de reparar o seu pecado. Conhecido se passado heroico, ele passa a sentir por Lúcia uma grande ternura e um amor sincero.
Seguem-se dias tranquilos. Lúcia muda-se para uma casinha modesta e Ana mora com ela. "isto não pode durar muito! É impossível!" É o pressentimento da morte. Lúcia tenta convencer Paulo a se casar com Ana, que já o ama também. Seria uma maneira de perpetuar o amor de ambos, já que ela se julga indigna do puro amor conjugal. Paulo rejeita com  veemência em nome do amor que não sente por Ana.
Lúcia aborta o filho que esperava de Paulo. Ela se recusa a tomar remédio para expelir o feto morto, dizendo "Sua mãe lhe servirá de túmulo". E já no leito de morte, recebe o juramento de Paulo prometendo-lhe cuidar de Ana como sua filha. E morre docemente nos braços de seu amado, indo amá-lo por toda a eternidade.

                                                                                                    
ANÁLISE
          
          O livro “Lucíola”, de José de Alencar, é um romance urbano, pois, ambienta-se na época do autor e retrata os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado.  Alencar, por meio de seus romances urbanos, faz uma crítica e denuncia a hipocrisia, a ambição e desigualdade social. Na análise psicológica ele revela os conflitos interiores de suas personagens femininas. Em todos os romances urbanos, Alencar coloca o amor como tema central e aborda a situação social e familiar da mulher, diante do casamento e do amor. Contudo,  o amor como o entendia a mentalidade romântica da época: um amor sublimado, idealizado, capaz de renúncias, de sacrifícios, de heroísmos e até de crimes, porém redimindo-se pela própria força purificadora de sua intensidade e de sua paixão.
       “Lucíola” é um romance em primeira pessoa, ou seja, quem narra a história não é Alencar diretamente. Ele o faz por meio de uma personagem que viveu os episódios. Nesse caso, essa personagem é Paulo, que em cartas dirigidas a uma senhora (por quem, subentende-se, o autor se faz passar) conta uma história de amor acontecida, há seis anos, entre ele e Lúcia.  A senhora reuniu as cartas e delas fez o livro. “Eis o destino que lhes dou; quanto ao título, não me foi difícil achar. O nome da moça, cujo perfil o senhor me desenhou com tanto esmero, lembrou-me o nome de um inseto. ‘Lucíola’ é o lampiro noturno que brilha de uma luz tão viva no seio da treva e à beira dos charcos. Não será a imagem verdadeira da mulher que no abismo da perdição conserva a pureza d’alma?”
        Características do Romantismo são facilmente encontradas na obra. É um romance em primeira pessoa, em que a história é narrada do ponto de vista somente de Paulo. Individualismo, portanto. Tudo gira em torno do que ele viu, do pensou, sentiu junto a Lúcia. Logo no início, Paulo esclarece que escreveu essas páginas para se justificar perante uma senhora que estranhou “a minha excessiva indulgência pelas criaturas infelizes, que escandalizam a sociedade com a ostentação do seu luxo e extravagância.” Percebe-se , também, na oposição indivíduo x sociedade quando o casal age contrariando as convenções sociais: “Que me importa o que pensam a meu respeito?”, ou quando satisfazem essas mesmas convenções, embora sempre reafirmando o próprio ‘eu’ e fazendo a sua personalidade. –“Há certas vidas que não se pertencem, mas à sociedade onde existem. (...) Ah! esquecia que uma mulher como eu não se pertence; é uma coisa pública, um carro de praça que não pode recusar quem chega...”
       Em “Lucíola”, a temática central está na exaltação do amor. Porém o amor sublime, alheio às convenções sociais, feito de sacrifício, como força purificadora. Capaz de transformar uma prostituta numa amante sincera e fiel. “- o amor purifica e dá sempre um novo encanto ao prazer. Há mulheres que amam toda a vida; e o seu coração, em vez de gastar-se e envelhecer, remoça como natureza quando volta a primavera.” Outra passagem: “Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem; hoje depois de cinco anos de infâmia, sinto que não teria coragem de profanar a castidade de minh’alma. Não sei o que sou,sei que começo a viver, que ressuscitei agora”, disse Lúcia após sentir a afeição de Paulo. “Eu te amei desde o primeiro momento em que te vi! Eu te amei por séculos nesses poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida conta por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter nesse mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade.”
       Lúcia ama Paulo, porém ela acha que não merece um amor puro “...o amor para uma mulher como eu seria a mais terrível punição que Deus poderia infligir-lhe! Mas, o verdadeiro amor d’alma”. Diante da possibilidade de realização de um amor puro, só resta a Lúcia, como personagem de um romance com características românticas uma saída: a morte. Nem mesmo o filho ela acha que merece: “Um filho, se Deus mo desse, seria o perdão da minha culpa! Mas sinto que ele não poderia viver no meu seio!”. E como uma heroína romântica, Lúcia anseia morrer nos braços do homem amado: “Ainda quando soubesse que morreria nos seus braços... Que morte mais doce podia eu desejar!” “...desejava que fosse possível morrermos assim um no outro... uma vida só extinguindo-se num só corpo!”. E assim se fez. Morreu ao lado do ser amado, dizendo-lhe: “Vou te amar enfim por toda a eternidade...”.
       Em algumas passagens do romance é possível perceber  o sentimento de melancolia: - “ninguém mais se animou a fazer-nos companhia. Estávamos na penúria; [...] Fiquei só! Uma menina de 14 anos para tratar de seis doentes graves, e achar recursos onde não os havia. Não sei como não enlouqueci”. [...] “Meu pai leu no jornal o óbito de sua filha; [...] mas não se envergonhavam de sua filha prostituída.”
       Além das características do Romantismo podemos encontrar , na obra, peculiaridades de José de Alencar como o lirismo: “Sentamo-nos sobre a relva coberta de flores e à borda de um pequeno tanque natural, cujas águas límpidas espelhavam a doce serenidade de um céu azul”. O gosto pela descrição: além do poder de descrever paisagens,  lugares, Alencar o fazia com as vestimentas de forma a influenciar no estado de espírito das personagens. “A expressão angélica de sua fisionomia naquele instante, a atitude modesta e quase íntima, e a sua singeleza das vestes níveas e transparentes, dava-lhe um frescor e viço de infância, que  devia influir nos pensamentos calmos, senão puros”.
      Em “Lucíola” vemos desarmonia no contraste de Maria Glória e Lúcia. Aquela é inocente, essa é devassa, A própria Lúcia esconde o seio recatada à vista de Paulo e, ao mesmo tempo, desfila nua em casa de Sá. Também em Paulo, que deseja Lúcia e depois quer respeitá-la; despreza-a e sente ciúme; ofende-a e pede perdão.
       Na estrutura da obra podemos observar que há um autor real, Alencar e um autor fictício, a senhora que recebe as cartas de Paulo. Ele tem a incumbência de ordenar os fatos. Ao mesmo tempo que Paulo-personagem transmite os sentimentos vividos por ele e Lúcia ao leitor, Paulo-narrador interrompe a narrativa e faz reflexões ou dirige-se à destinatária das suas cartas que compõem a história dos dois amantes. Isso acrescenta uma particularidade ao romance.  

Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Literatura Brasileira do Curso de Letras
- FAPAM - Professora Drª Ana Paula Ferreira
Créditos: 10

                                                                                                                  Lécia Conceição de Freitas


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ainda restam coquinhos... e periquitos


           
            Devo dizer que hoje, apesar da grande movimentação, na Av. Presidente Vargas, perto da Ponte que já foi Grande, havia um bando de periquitos  deliciando-se com os coquinhos  aqueles amarelinhos, que grudam nos dentes da gente.  Os bichinhos faziam acrobacias para comer os coquinhos em um cacho enorme, pendente de um coqueiro  no canteiro central da dita avenida. E gritavam... e palravam...
             O que nos deixa felizes, pois não é comum que se veja um bando de periquitos nessa folia e, muito menos, degustando essa fruta, bem no centro urbano de uma cidade que já foi pacata. O alarido dos pássaros era bem forte e demonstrava a alegria por estarem ali, com tanto alimento à disposição.  Ás vezes, algum deles pegava um coquinho com o bico e saía voando por cima das cabeças de quem estava no ponto de ônibus.  O que leva a crer que devem ter seus ninhos ali naquela matinha aos pés do Cristo Redentor.
            Fiquei por um bom tempo observando. É sabido que gosto demais de pássaros e aquilo, ali, naquela hora, era um presente.  Olhei disfarçadamente em volta para ver se mais alguém estava admirando o acontecimento e assim poder fazer um comentário. Tudo que eu queria era poder falar sobre os periquitos e  a festa que faziam. Mas qual, ninguém prestava atenção! As pessoas andam muito apressadas.  E cada um se preocupava com o que lhe parecia ser mais importante, decerto. O que para todos parecia ser uma coisa banal, para mim era um acontecimento! Que alguns periquitos  viessem  tão perto do ser humano, colher frutas e festejar deveria  ser visto como algo inusitado. Ou talvez eles ainda sejam inocentes e não sabem o perigo que correm. Ou quem sabe, quisessem mesmo se mostrar, sabedores de sua graça.
            Acho mesmo que somente eu percebia a dádiva da natureza. E eu a recebi como um mimo  oferecido somente a mim. Eu,  que amo essas coisas de árvore, conversa de periquitos, cores e cheiros de coquinhos! De onde estava não podia sentir o cheiro, é verdade, mas eu adivinhava. Imaginava até a doçura das frutinhas, por isso entendia a alegria dos periquitos e era conivente com eles, apesar do lugar, da hora, do barulho...
            Mas  é bom que saibam, que nessa cidade de Pará de Minas, em meio a um trânsito caótico, barulhento, em uma avenida apinhada de pessoas, um bando de periquitos festejava  a tarde, a vida...
 E eu, eu vi isso!


Lécia Conceição de Freitas