domingo, 18 de maio de 2014

"A POÉTICA ROSEANA" Capítulo 2 subcapítulo 1

2.1 O Poeta do Sertão

     (O Autor)

 

Minha biografia, sobretudo minha biografia literária, não deveria ser crucificada em anos. As aventuras não têm tempo, não têm princípio nem fim. E meus livros são aventuras: para mim, são minha maior aventura. Es­crevendo, descubro sempre um novo pedaço de infinito. Vivo no in­finito; o momento não conta. Vou lhe revelar um segredo: creio já ter vivido uma vez. Nesta vida, também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa. Quando escrevo, repito o que vivi antes. E para estas duas vidas um léxico apenas não me é suficiente.
                                 João Guimarães Rosa


            Apresentar a biografia de João Guimarães Rosa constitui um processo minucioso de pesquisa.  A vida desse escritor é uma sucessão de acontecimentos que não poderiam deixar de ser citados. No entanto, é imperioso que se faça uma filtração devido à enorme quantidade de informações existentes. Para isso, selecionaram-se os dados em dois sítios eletrônicos, devidamente citados nas referências bibliográficas.  A dificuldade está em escolher e alinhavar de acordo com
a própria relevância e de interesse para  essa pesquisa. A história desse grande escritor, médico e diplomata, contada por  Elfi Küerten Fenske começa assim:
Joãozito, como era chamado pela família, nasce em 27 de junho de 1908, com sobrenome de poeta: Rosa, filho de Florduardo. Nasce no mesmo ano em que morre Machado de Assis, numa cidade chamada Cordisburgo, que quer dizer o “burgo do coração” (FENSKE, 2013).
            Sobre sua origem, Guimarães Rosa declara a seu tradutor alemão, Günter Lorenz, em uma entrevista:
nasci em Cordisburgo, uma cidadezinha não muito interessante, mas para mim, sim, de muita importância. Além disso, em Minas Gerais; sou mineiro. E isto sim é o importante, pois quando escrevo sempre me sinto transportado para esse mundo: Cordisburgo. (ROSA apud  FENSKE, 2013).

            Guimarães Rosa gostava de ficar sozinho. Nesses momentos, estudava Geografia e brincava colecionando insetos. Desde pequeno, lia muito. Certa vez, disse que, quando crescesse, escreveria “um pequeno tratado para meninos quietos”:
mas tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas... (ROSA apud FENSKE, 2013).

            Desde que sai de seu vilarejo natal, Cordisburgo, por volta dos 10 anos de idade, para morar com os avós e assim estudar, em Belo Horizonte, Guimarães Rosa não para mais:
Guimarães Rosa ingressou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte (hoje Faculdade de Medicina da UFMG) com 17 anos incompletos. Em 1926, quando cursava o 2º ano, pronunciou, no anfiteatro da Faculdade, diante do ataúde de um estudante vitimado pela febre amarela, as palavras “As pessoas não morrem, ficam encantadas”, que, ouvidas na ocasião por seus colegas Alysson de Abreu e Ismael de Faria, seriam repetidas, 41 anos depois, quando de sua posse na Academia Brasileira de Letras. Graduou-se em 1930 e, escolhido orador da turma[1] – cujo paraninfo foi o Prof. Samuel Libânio (FENSKE, 2013).

            Durante o ano e meio em que clinicou na região de Itaguara, MG, Guimarães Rosa voltou suas atenções para os mais humildes. Suas ações iam além dos cuidados médicos. Isso  é relatado por  Luiz Otávio Savassi Rocha, pesquisador da obra de Guimarães Rosa:
com raizeiros e receitadores, a ponto de se tornar grande amigo de um deles, de nome Manoel Rodrigues de Carvalho (seu Nequinha), que morava
num grotão enfurnado entre morros, num lugar conhecido por Sarandi. Kardecista, seu Nequinha parece ter inspirado a criação do personagem Compadre Quelemém, espécie de oráculo sertanejo em Grande sertão: veredas. Segundo o Prof. Paulo Rónai (comunicação pessoal), Quelemém é a transcrição exata do nome próprio Kelemen, forma húngara do antropônimo Clemente (do latim clemensentis). Como se vê, o nome faz jus ao personagem: “Homem de mansa lei, coração tão branco e grosso de bom, que mesmo pessoa muito alegre ou muito triste gosta de poder conversar com ele”. (ROCHA, 2002, p.249 – 256)

            O escritor foi casado com Lígia Cabral Penna e pai de duas filhas, Vilma e Agnes.  Em 1938  é  nomeado  Cônsul  Adjunto em Hamburgo e  por causa disso vai morar na Europa onde conhece Aracy Moebius de Carvalho[2] (Ara) que será sua segunda mulher.
                No tempo em que esteve na Alemanha, aproveita para conhecer vários países europeus. Durante o período da ll Guerra Mundial, ajudou D. Aracy, então sua esposa e chefe da seção de passaportes do consulado, a proteger e salvar a vida de muitos judeus perseguidos pelo Nazismo[3], fornecendo-lhes vistos de entrada para o Brasil, sem mencionar a religião do portador. Essa atitude do casal teve o reconhecimento merecido conforme informação colhida em um sitio eletrônico cuja autoria é de Elfi Küerten Fenske:
o  nome do casal Guimarães Rosa foi dado a um bosque ao longo das encostas de Jerusalém, em 1985[4]. Segundo D. Aracy, que compareceu a Israel por ocasião da homenagem, seu marido sempre se absteve de comentar o assunto já que tinha muito pudor de falar de si mesmo. Apenas dizia: "Se eu não lhes der o visto, vão acabar morrendo; e aí vou ter um peso em minha consciência." (FENSKE, 2013).

            Guimarães Rosa não gostava de dar entrevistas, segundo suas palavras a Lorenz: “Eu certamente não teria aceito seu convite se esperasse uma entrevista. As entrevistas são trocas de palavras em que um formula ao outro perguntas cujas respostas já conhece de antemão.” Das conversas  e poucas entrevistas que ficaram gravadas, pode-se extrair  revelações sobre  o que o autor  pensava e sentia. A citação extensa justifica-se pela  beleza do conteúdo e por entender-se que é uma maneira de  conhecer um pouco das  ideias e  personalidade desse grande escritor:
- João, como é que você, que fala com essa absurda simplicidade, usa todo aquele “rebuscamento” para criar um conto?
- Você conhece os meus cadernos, não conhece? Quando eu saio montado num cavalo, por minha Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada pássaro que voa, cada espécie, tem vôo diferente. Quero descobrir o que caracteriza o vôo de cada pássaro, em cada momento. Não há nada igual neste mundo. Não quero palavra, mas coisa, movimento, vôo.
Fale de seu pai.
- Papai é um homem muito rigoroso. Quando eu era menino me levava pra caçar com ele. Quando eu avistava caça, gritava por papai. Ele vinha correndo e a caça fugia. Um dia papai desconfiou que eu gritava de propósito para que ele não pudesse matar os bichos e nunca mais me levou. Papai era comerciante, está velhinho hoje. Quando eu era garoto pensava que era rico. Lá, em Cordisburgo... eu era. Mas quando precisei ser rico ... cadê?
- Você não acha que seria bom, para aproximar sua obra do grande público, para que o público venha conhecer melhor Guimarães Rosa gente, falar mais de você?
- Não. Quero que a minha obra se imponha sozinha. O livro deve ser vendido como toucinho, manteiga. Nunca quis ajuda de pessoas amigas para os meus livros. Deve ser coisa impessoal. A prova da arte é vender-se por si. Eu não crio facilidade, crio dificuldade. Só acredito no eterno. Não quero facilidades. Por isso meu livro “Sagarana” começa com o conto mais difícil. Se eu pudesse só poria, nas capas, as críticas que escrevessem mal de meus livros, para dificultar ainda mais. Tenho tanta confiança de que a minha obra vai crescer com o tempo que sua divulgação não me preocupa.
A conversa muda de rumo:
- Quando vim para a cidade grande, respirei ao ver que a gente não conhece o condutor nem o vizinho. A cidade grande desumaniza... mas depois, humaniza num plano mais alto. Detesto o cotidiano. Pra mim é um suplício comer, fazer a barba, vestir. O todo-dia é um inferno. Não leio jornal na hora. Jornal é angústia concentrada. Só leio matutino à noite... pra dar distância. Vivo para uma coisa maior, um vir-a-ser de uma natureza diferente. A arte permite isso. Permite essa transformação. Por mim os livros não deviam nem trazer nome do autor. O autor devia ser um mistério.
- Estamos quase chegando e eu pergunto cretinamente: - Por que você só usa gravata borboleta?
- Não é pergunta de entrevista, é?
- Não. É que eu acho que a gravata borboleta define as pessoas.
- É porque nunca aprendi a dar laço nas gravatas comuns. Acho esta mais fácil.
 Paro o carro, enquanto Rosa termina um pensamento de algo discutido antes:
- Vejo o ser humano como rascunho do que vai ser.
Ele salta e se despede:
- Desculpe, Bloch. Não fique decepcionado comigo, mas eu não dou entrevista. Você compreende, não é? Não posso magoar os outros.
E fecha a porta do carro, enquanto lhe grito: - E o Brasil, hem?
- O Brasil, como?
- Você não está sofrendo com as surras que estamos levando na Europa em futebol?
- Eu não leio as derrotas do Brasil. ("Você sabe que eu fui center-half no time do meu colégio?")
E ao se afastar: - Só leio jornal quando o Brasil ganha.[5]

            Guimarães Rosa sonhava em entrar para a Academia Brasileira de Letras. Dizia que precisava provar para sua mãe que era um escritor de verdade e porque não podia negar a glória acadêmica à sua pequena cidade, Cordisburgo. Tentou por duas vezes, até que consegui. Em seu sitio eletrônico, Arnaldo Nogueira Junior informa que:
em 1963 candidata-se, pela segunda vez, à Academia Brasileira de Letras, na vaga de João Neves da Fontoura, e visita acadêmicos, em campanha eleitoral, firmemente decidido a obter vitória. É eleito, em 08 de agosto, por unanimidade, membro da Academia Brasileira de Letras. Misteriosamente, começa a adiar, sine die, a cerimônia de posse.  Após quatro anos de adiamento, reflexo do medo que sentia da emoção que o momento lhe causaria, resolve assumir a cadeira na ABL.” – A Academia é muito para mim. Sou tão pequeno como a cidade em que nasci”-  Ainda que risse do pressentimento, afirmou no discurso de posse: "...a gente morre é para provar que viveu." O escritor pronuncia  seu discurso de posse  por 1 hora e meia com a voz embargada.  Parece pressentir que algo de mal lhe aconteceria. Com efeito, três dias depois, em 19 de novembro de 1967, ele morreria subitamente em seu apartamento em Copacabana, sozinho (a esposa fora à missa), mal tendo tempo de chamar por socorro (NOGUEIRA JUNIOR, 2013).
            Embora tenha começado a publicar aos 38 anos, com uma bibliografia considerada pequena, Guimarães Rosa conseguiu com sua arte em palavrear, um lugar de destaque na Literatura Brasileira.  Esse grande escritor, possuidor de qualidades ímpares como ser humano, distinguiu os seus conterrâneos e  reverenciou a Língua Portuguesa. Alcançou o mundo...




[1]O discurso do doutorando João Guimarães Rosa – Sob o foco das lanternas evocadoras – foi publicado no “Jornal Minas Geraes”, órgão da Imprensa Oficial do Estado, em sua edição de 22 e 23 de dezembro de 1930. (ROCHA, Luiz Otávio Savassi. SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 5, n. 10, p. 249-256, 1º sem. 2002).
[2] Aracy Carvalho Guimarães Rosa recebeu do marido uma das homenagens que merecia. É dedicado a ela um dos livros fundamentais da moderna literatura brasileira: "Grande Sertão: Veredas"."A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”.
[3] Sobre esse assunto Guimarães Rosa responde a LORENZ: “E agora o que houve em Hamburgo é preciso acrescentar mais alguma coisa. Eu, o homem do sertão, não posso presenciar injustiças. No sertão, num caso desses imediatamente a gente saca o revólver, e lá isso não era possível. Precisamente por isso idealizei um estratagema di­plomático, e não foi assim tão perigoso. E agora me ocupo de pro­blemas de limites de fronteiras e por isso vivo muito mais limitado.”
[4]Em 08 de julho 1982, recebe o título de "Justa entre as Nações", concedido pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, por salvar a vida de vários judeus, vítimas do nazismo.  É considerada o Anjo de Hamburgo, prêmio da ONG B’nai B’rith (instituição judaica).
Apenas outro brasileiro, o embaixador Luiz de Souza Dantas (1876-1954), recebeu a mesma honraria, em 2003.
A única mulher mencionada no Museu do Holocausto, em Israel e nos Estados Unidos, é importante ressaltar sua existência e exaltá-la na história do Brasil na II Guerra Mundial.(FENSKE, 2011).

[5]Guimarães Rosa, entrevistado por Pedro Bloch e Publicado na revista Manchete, nº 580, de 15/06/1963. [Extraído de: Pedro Bloch entrevista Rio de Janeiro, Bloch, Ed. 1989].

domingo, 4 de maio de 2014

Dia do Índio


            Dias atrás comemorou-se o Dia do Índio. Muita coisa já mudou, mas ainda é possível ver algumas crianças, escolares, fantasiadas com colares e pinturas de guerra, com o propósito de homenageá-los. Por que e para que? Será isso verdadeiro e agradável para os índios? Creio que não, nos dois casos.
Em abril de 1999 (portanto, alguns anos já se foram e por isso as coisas podem ter mudado ou, infelizmente, se agravado) a Revista Veja começava assim a sua reportagem de capa: “Em qualquer livro de História ou Geografia a chance é grande de você encontrar que:
             – Os índios eram seres primitivos por andarem nus, pela mata catando frutas e matando macacos. Não progrediram pelo fato de serem preguiçosos, o que levou os portugueses a trazerem escravos africanos. Ah, eram tolos! Adoravam espelhinhos e miçangas, pelos quais trocavam suas riquezas.” Você leria que “de norte a sul, todos tinham a cara, língua e costumes parecidos”
            Tais conceitos começaram a mudar a partir da década passada. Pesquisas indicaram que os índios possuíam uma organização mais complexas do que se imagina. Formaram e formam centenas de nações com culturas bem diversas entre si.
            Ainda de acordo com a Revista, “os 300.000 índios que viviam no País não falavam apenas o tupi-guarani – tronco linguístico que abrange 30 nações indígenas – mas cerca de 170 línguas  diferentes. Foi a análise das línguas que permitiu agrupar os índios para melhor ordenar seu estudo.
            Muitos pensam que o futuro desses povos é a extinção, já que aos poucos vão sendo incorporados à população  brasileira. Porém, ao contrário do que se supõe, a grande maioria das nações indígenas  desapareceu porque foram exterminadas.  A partir de 1900, com a expansão da agricultura, abertura de estradas, madeireiras, garimpos, o progresso desordenado e o contato com o homem branco, os povos que se esconderam no interior das matas, também, foram dizimados. Sobraram poucos. Hoje são mais protegidos por órgãos do Governo Federal.
Atualmente, fala-se mais em valorizar a importância e influência da cultura indígena na formação de nossa sociedade. De acordo com o livro “Alfabetização sem Segredos – Eventos Escolares – do mês de abril da autora Maria Radespiel, já podemos repassar às nossas crianças outras informações.
            Então por que comemoramos o Dia do Índio? Porque o índio é um dos  pilares da sociedade brasileira?!    Mas o branco também é! E não existe o dia do europeu! Tampouco o Dia do Negro. Temos o Dia da Consciência negra quando alguns dos seus expoentes nos lembram que querem resgatar a dignidade e valores de sua etnia, que aniquilamos, buscando seus direitos. Embora, os salões de beleza ainda fiquem cheios de jovens, descaracterizando seus traços, agredindo a sua beleza étnica. Mas, nem nesse dia vemos nenhum branco vestido como negro. O que vemos são crianças ainda pequenas alisando os seus cabelos. O que existe então é um assistencialismo piegas a respeito dos índios, o qual não deveria ser tratado como folclore em sua própria terra. Não deveria ser colocado em vitrines “pra gringo ver”!
            O índio nos legou valores que ainda menosprezamos, perdendo, então, um cabedal de conhecimentos ao ignoramos a sua cultura. Assim aprisionamos o canto mais mavioso. (Aqui, em Pará de Minas, costumamos ver pássaros em gaiolas. Alguns algozes se desculpam dizendo que eles não sobreviveriam fora delas. Então, por que os procriam assim? Há algum tempo, havia uma arara, linda, presa numa gaiola minúscula, nos jardins de uma mansão no Parque do Bariri. Qualquer pessoa que passasse na rua poderia ver. Mas quem vai mexer com a elite?! São pessoas tão ilibadas!  Provavelmente colocariam a gente na prisão!)  Traficamos os mais belos, ou não, espécimes de nossa fauna e flora. Cortamos árvores seculares. Poluímos toda espécie de cursos d’água.
            Enfim, desrespeitamos a natureza em todas as suas formas. Nas rinhas de galo, na Festa do Boi, em Santa Catarina, na matança indiscriminada de animais silvestres para saciar apetites exóticos. Dessa forma, é compreensível que o índio não entenda as nossas expressões culturais. Se achamos bizarro seu vestuário, sua dança, etc, o que pensará de nós quando, em diversas situações, nos despimos em público, ou quando nos contorcemos, ridiculamente em cima de uma garrafa, com um som medíocre. Assim sendo, já que também temos nossas esquisitices, devemos tentar compreender e respeitar qualquer manifestação cultural de qualquer povo, e não expô-las para venda. E se os próprios índios já o fazem, infelizmente, nós, e apenas nós, os levamos a essa degradação capitalista.
           Ainda há muito que fazer e descobrir, mas  não há mais dúvida de que os índios têm um passado e uma cultura com valores, apesar  da violenta aculturação imposta pelo branco. Conhecer e ensinar sua história é a única maneira de respeitar e assim garantir a sobrevivência desses brasileiros, verdadeiros donos desse lugar, que têm hoje sua última chance sobre a Terra.

Lécia Freitas

                                                                                                                                          


sábado, 3 de maio de 2014

Bilhete a uma pessoa amada


                                                    Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
                                                                                             Ficaram velhas todas as notícias.
 Eu mesmo envelheci.

                                Carlos Drummond de Andrade


          Pensei que nunca mais lhe escreveria. Eu o aborreço. Também há a namorada. Todavia, a saudade se me avassala, como um caudal dorido de lamentos... Gostaria de, mais uma vez, explicar-me, pedir desculpas, dizer coisas... Tantas foram ditas em meu nome e que são inverdades... Se me precipitei, por inexperiência, paguei caro e aprendi...
           Sonhos, acordada, já não os tenho. Lembranças, sim. São como pérolas que acaricio suavemente. Tesouros. Sempre que quero, recolho-me ao mais recôndito de mim. Minha memória percorre caminhos que eu escolhi e os meus olhos encontram os seus, mesmo estando fechados. Seu cheiro invade meu coração e o seu corpo vem até meus braços. Então eu o tenho meu novamente.  Aperto-o contra o meu peito e deixo o tempo escoar
          Hoje, depois daquela confusão toda, lembro de tudo; analiso e penso que sonhei demais. Sonhos meus, “que não copiei, nem furtei”, mas que estavam além do meu alcance.
          Você atravessou um dos meus desertos. Havia música e dança em seus passos. Um oásis com água fresca e um jardim de flores amarelas em seu falar. Vislumbrei paz e descanso em seus olhos e bati à porta de mim. Então, o sonho que dormitava lá dentro, ouviu em sua quietude, tal qual murmúrio de riachos entre colinas, o nascer de um sentimento. Que reclamou apenas seu próprio êxtase. Fizeram-se estrelas na minha noite e para ele desnudei minh’alma. (E esse sentimento, por ser imenso e vasto, transcendeu de mim, libertou-se e agora, sempre, palpita no espaço.)
          Assim, sonhei visitar seu eu e conhecer sua casa maior, contudo, havia vales profundos entre seu coração e o meu. Minha estação não era chegada, nem eram para mim a música, as flores, esse remanso...
          Um amor tão grande e restou apenas essa tristeza. Como um espinho doído, mas  tão fundo que nunca vou conseguir arrancar. Um amor tão grande e você nem percebeu. Nem se deu conta do quanto modificou a minha vida.
Lécia Freitas
                                                                                                           







Desmatamento



           
            O desmatamento no Brasil começou durante a colonização com a retirada descontrolada do pau-brasil. Os europeus ficaram entusiasmados com a cor vermelha da madeira que era usada  no tingimento de tecidos. Isso fez com que a árvore que dá nome ao nosso país quase entrasse em extinção, restando poucos exemplares nas matas. Outras madeiras consideradas nobres foram extintas ou quase isso. Muitas estão protegidas por leis, nos dias de hoje, embora haja descumprimento dessas leis e muito contrabando, principalmente na Região Norte.
            A Mata Atlântica se estendia por toda a costa brasileira por ocasião do descobrimento do país, sendo considerado um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do mundo e um dos mais ameaçados. Atualmente, da segunda maior floresta brasileira restam apenas cerca de 5% de sua extensão original. Na região do Estado da Bahia, em meados do século passado foi grande a devastação para o cultivo de cacau. A maioria da área litorânea que era coberta pela Mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura como a monocultura do café e da cana-de-açúcar.
            Em alguns lugares como o Rio Grande do Norte, onde quase não havia vestígios da mata, há, atualmente, uma preocupação em transformar áreas em Reserva Particular do Patrimônio Público (RPPN). Ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no Sudeste do Brasil. As poucas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer, pois, a destruição da biodiversidade e o desmatamento eliminam de uma só vez grande contingente de espécies, muitas vezes desconhecidas.
            Porém, o maior problema causado pelo desmatamento é a escassez de água. Os mananciais, os rios dependem da floresta. Qualquer desequilíbrio afeta, naturalmente, todo o ecossistema provocando a seca. É o que acontece na Região Nordeste e iniciando, também, em outras regiões do país.
            Percebendo a necessidade de mudanças, muito estudiosos se esforçam em ações na tentativa de reverter esse processo. Diante de tudo disso, as autoridades  estão começando a se conscientizarem e por isso estão criando leis que protegem e incentivam o cuidado com nossas matas, uma vez que conter a destruição das florestas se tornou prioridade para todo o planeta.  

Os dados foram obtidos em leituras de diversos sítios eletrônicos.
Palavras-chave; desmatamento, Mata Atlântica, RPPN.

Trabalho avaliativo  apresentado à disciplina Língua Portuguesa do Curso de Letras
- FAPAM- Professora Cristina Mara
Créditos: Ótimo!

Lécia Freitas




sexta-feira, 2 de maio de 2014

A POÉTICA ROSEANA Capítulo 2

2 Um Fosforém
    (A Obra)


Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava todo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda.
    João Guimarães Rosa


            Em uma narrativa com cerca de 600 páginas, sem seções e sem capítulos, João Guimarães Rosa, apresenta sua obra-prima Grande Sertão: Veredas.
            Trata-se de um monólogo em que Riobaldo conta a sua vida a um senhor, da cidade, na tentativa de compreender o que viveu, no tempo em que era chefe de jagunços e apelidava-se Tatarana e depois Urutú-Branco. Esse senhor, que muitos estudiosos pressupõem ser o próprio autor, não se manifesta, sendo perceptível apenas pelas marcas textuais, o que, em uma análise, pode ser entendido como um interlocutor.  Não há falas desse senhor, mas percebe-se sua presença pelas supostas perguntas e pela reiteração do nome “senhor”. Portanto, identifica-se a alteridade no próprio silêncio e nos intervalos das falas de Riobaldo. Isso caracteriza haver um diálogo, embora se ouça  apenas a voz do entrevistado, como se essa fosse a hora e a vez de um sujeito subalterno pronunciar sua versão da história: “Então, o senhor me responda: o amor assim pode vir do demo? Poderá?! Pode vir de um-que-não-existe? Mas o senhor calado convenha. Peço não ter resposta.” (ROSA, 2006, p. 139)
            Riobaldo não tinha pai e, após a morte da mãe, ele vai morar com o padrinho, que  o encaminha a um professor – Mestre Lucas. Dessa forma, Riobaldo aprende a ler e escrever, o que o distingue dos outros jagunços: “Gente! Feito meninos. Disso eu fiz um pensamento: que eu era muito diverso deles todos, que sim. Então, eu não era jagunço completo, estava ali no meio executando um erro.” (ROSA, 2006, p.358).
            Ainda criança, ao pagar  uma  promessa  de  cura  de doença, feita pela mãe, Riobaldo vem a conhecer o  Menino nas margens do de-Janeiro. Esse encontro marca a sua vida: Mas eu olhava esse menino com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido”. (ROSA, 2006, p. 103). De todas as impressões que o Menino deixa em Riobaldo, uma chama a atenção, e ele vai repetir por toda a história: são os olhos verdes. Ele os descreve, já no primeiro encontro, na travessia do Rio São Francisco: “O vacilo da canoa me dava um aumentante receio. Olhei: aqueles esmerados esmartes olhos, botados verdes, de folhudas pestanas, luziam um efeito de calma, que até me repassasse” (ROSA, 2006, p.103).
            Rejeitando a ideia de que o padrinho possa ser seu pai, Riobaldo, já adulto, foge sem rumo. Em um pouso no meio de sertão, ele reencontra o Menino, de nome Reinaldo,  que se tornara um jagunço. A partir daí, Riobaldo o segue entrelaçando suas vidas em um sentimento profundo, porém inaceitável  para Riobaldo, homem-macho, que não compreende como isso fora acontecer. E ele vai ser jagunço sem o desejar: “O jagunço Riobaldo. Fui eu? Fui e não fui. Não fui! – porque não sou não quero ser. Deus esteja!” (ROSA, 2006, 216).
            Reinaldo, “de feições delicadas”, mas bom de briga de faca”, torna-se o companheiro inseparável. Em um momento, ele revela a Riobaldo possuir outro nome – Diadorim – do qual gostaria de ser chamado, porém somente quando estivessem a sós.
              Em suas divagações, Riobaldo recorda que, desde aquele dia, atravessando o  de-Janeiro, Reinaldo havia lhe apresentado as belezas do sertão. Assim, por toda a história, a natureza emoldura esse amor dando força  à saudade  que o faz lembrar como: “Que se hoje fosse. Diadorim me pôs o rasto dele para sempre em todas essas quisquilhas da natureza.”(ROSA, 2006, p.29) Essas imagens contribuem para que a linguagem utilizada pelo autor seja mais poética.
            Em uma das lutas travadas pelos jagunços, Joca Ramiro, o Chefe,  que vem a ser pai de Diadorim, é morto à traição. Riobaldo, então, promete ajudar Diadorim em sua vingança de matar os culpados. Diante da dificuldade de exterminar Hermógenes, o traidor, Riobaldo acredita que ele – Hermógenes – tem um pacto com o Demônio, o que o torna quase invencível nas lutas. Isso leva Riobaldo a tentar esse pacto, com o objetivo de ficar poderoso e assim vencer o próprio Hermógenes, em um local chamado “Veredas-Mortas”, sendo essa uma das passagens mais tensas do livro:
sapateei, então me assustando de que nem gota de nada sucedia, e a hora em vão passando. Então ele não queria existir? Existisse. Viesse! Chegasse, para o desenlace desse passo... Digo, direi, de verdade: eu estava bêbado de meu. Ah, esta vida às nãoa–vezes, é terrível bonita, horrorosamente, esta vida é grande. Remordi o ar:
- Lúcifer! Lúcifer...!
- Aí eu bramei, desengulindo. Não. Nada. O que a noite tem é o vozeio de um ser-só. – que principia feito grilos e estalinhos, e o sapo-cachorro, tão arranhão. E que termina num queixume borbulhado tremido, de passarinho ninhante mal-acordado dum totalzinho de sono.
-Lúcifer! Satanaz!...
Só outro silêncio. O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais. (ROSA, 2006, p. 422).
            Uma das questões que Riobaldo levanta ao narrar a sua vida ao “Senhor” é a opinião dele sobre esse fato. Seria verdade? Ele teria, realmente, feito um pacto com o “Que-não-há”? Nas muitas análises sobre a obra, alguns estudiosos argumentam que o autor usa um recurso para desfazer essa dúvida. Ao afirmar que o lugar onde teria feito o pacto não existe com aquele nome, tendo outro bem diferente – “Veredas Altas”– o narrador demonstra que esse fato não aconteceu realmente.
            Verdade ou não, o fato é que, ao retornar ao acampamento, Riobaldo se sente mais forte e capaz, alcançando o posto de Chefe e passando a se chamar Urutú- Branco. Nessa posição, Riobaldo consegue levar o bando a atravessar o Liso do Suassurão, uma das empreitadas mais difíceis devido à dificuldade de sobrevivência nessa região do sertão, o que faz com que todos o respeitem mais ainda.
            Entremeado com todos os acontecimentos, sobressai o amor de Riobaldo e Diadorim. Guimarães Rosa fala desse amor de uma forma que leva ao enlevamento. Contudo, cúmplice da dramaticidade presente no enredo, o leitor percebe que, assim como em outros amores imortalizados, na Literatura, deve-se esperar um desfecho insólito.
            Embora não se declarassem, um percebe o amor do outro. Diadorim revela esse sentimento através do açoite de ciúme” que tem do amigo nos seus casos com outras mulheres, principalmente de Otacília, que ama Riobaldo. Mas é no cuidado,  nas falas truncadas, nos gestos abortados a meio e nos olhares verdes da cor do rio, da cor das folhas da palmeira, que Riobaldo percebe o amor de Diadorim:

sério, quieto, feito ele mesmo, só igual a ele mesmo nesta vida. Tinha notado minha ideia de fugir, tinha me rastreado, me encontrado. Não sorriu, não falou nada. Eu também não falei. O calor do dia abandava. Naqueles olhos e tanto de Diadorim, o verde mudava sempre, como a água de todos os  rios em seus lugares ensombrados. Aquele verde arenoso, mas tão moço, tinha muita velhice, muita velhice, querendo me contar coisas que a ideia da gente não dá para entender – e acho que é por isso que a gente morre. De Diadorim ter vindo, e ficar esbarrado ali, esperando meu acordar e me vendo meu dormir, era engraçado, era para se dar feliz risada. Não dei. Nem pude nem quis. Apanhei foi o silêncio dum sentimento feito um decreto: - Que você em sua vida toda por diante, tem de ficar para mim, Riobaldo, pegado em mim, sempre!... – que era como se Diadorim estivesse me dizendo. (ROSA, 2006 pp. 288-289)
            Riobaldo pede para que eles saiam daquela  vida. Vão viver juntos bem longe dali. Mas Diadorim recusa naquele momento, porque quer vingar a morte do pai. E então o jagunço fica, irremediavelmente, “preso” a esse amor:
pensei em Diadorim. O que eu tinha de querer era que nós dois saíssemos sobrados com vida, desses todos  combates, acabasse guerra, nós dois largávamos a jagunçada, íamos embora, para os altos Gerais tão ditos, viver em grande persistência.(ROSA, 2006 p. 208).
            Finalmente o bando de jagunços se encontra com o bando de Hermógenes e tem início a luta desejada para pôr fim ao drama vivido por todos aqueles homens. No meio da rua, no meio do redemunho, Riobaldo vê de um lado Hermógenes, “desumano, dronho – nos cabelões da barba” (ROSA, 2006, p. 594). E do outro lado, Diadorim, o grande amor de sua vida com a faca na mão. E após a luta ferrenha, o desfecho que faz os olhos marejarem e a sensação de que “o trovão não acabou de rolar até o fundo, e se sabe que caiu o raio. Diadorim tinha morrido!” (ROSA, 2006, p. 596).
            E na preparação do corpo, a verdade, terrível. A sufocação que não deixa o clarear das ideias. A surpresa pior que a dor – o estarrecimento à coice d’arma, a coronha.” O uivo que revela o desespero diante do amor que não era impossível. E a palavra, estrangulada durante tanto tempo, se cristaliza única, doridamente – “Meu amor!”
ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível: e levantei a mão para me benzer – mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era uma mulher como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero (ROSA, 2006 p.599).
            Antes de abandonar a chefia dos jagunços ordena que a “Enterrem separado dos  outros  num aliso de vereda, adonde ninguém ache, nunca se saiba”. (ROSA, 2006, p.600).
            Ao atingir esse ponto da narrativa, Riobaldo declara ao seu interlocutor que a história está acabada. Como se somente essa parte da sua vida tivesse realmente importância. Ele reparte seus pertences entre os amigos,  e vai embora.
resoluto saí de lá, em galope doidável. Mas, antes, reparti o dinheiro, que tinha, retirei o cinturão-cartucheiras – aí ultimei o jagunço Riobaldo! Disse adeus para todos, sempremente (ROSA, 2006, p. 600).
            Riobaldo continua o relato. Agora sucintamente com um linguajar corriqueiro, prosaico.  Ele revela que ficou mal de saúde, após aqueles acontecimentos, tendo sido levado por conhecidos a uma fazenda onde permanece para se restabelecer. Recebe a visita de Otacília e, depois de algum tempo, casa-se com ela. Contudo, confessa ao senhor que o ouve que ainda hoje, pensa em Diadorim, mesmo após tantos anos:
bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim penso também – mas Diadorim é minha neblina. [...] Ah! Diadorim... e tantos anos já se passaram (ROSA, 2006, p. 24- 191).
            Hoje leva vida de “range rede” (ROSA, 2006, p.10) em uma das fazendas que herdou do padrinho, seu pai.  Diante da confirmação de sua ideia, pelo senhor ouvinte, conclui as respostas para o grande dilema de sua vida: ”O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é o homem humano. Travessia.” (ROSA, 2006, p. 608).


 

Interpretação de alguns sonetos de Willian Shakespeare


            Em uma comparação dos sonetos de números 18 e 130, de Willian Shakespeare, em relação à descrição do ser amado e os elementos da natureza, pode-se dizer que há um contraste de imagens entre os dois sonetos, uma vez que no soneto 18 o autor evidencia s qualidades do objeto de seu amor comparando-o com as belezas da natureza, enquanto no soneto 130 ele descreve a sua amante sem nenhum atrativo comparável àquelas belezas. Isso pode ser notado nos versos... By chance or nature’s changing course untrimm’d;  e Nor shall Death brag thou Wander st his shade..., entre outros. Assim também como nos versos…My mistress eyes are nothing like the sun; e But no such roses see I in her cheeks.
            Portanto, percebe-se uma idealização do amor no primeiro soneto e uma concretização no segundo soneto em que o autor reafirma seu amor, mesmo ela sendo uma mulher como outra qualquer.  (...I think my Love as rare/ As any she believ with false compare. )
            No soneto 138, sobre a questão da fidelidade,  entende-se que o autor ignora a mentira da amante, seu adultério. ( But why dose she not tell me that she is unfaithful?Ele está sentindo-se velho e não quer dizer a verdade sobre a sua idade. ( And why do I not admit that I am old?) Fingindo ingenuidade, por não perceber suas mentiras ela vai julgá-lo inexperiente e jovem. (That she might think I am some inexperienced youth.) Na verdade, não há fidelidade. O principio da fidelidade é o respeito às próprias convicções e ao outro. Quando isso não acontece há uma sugestão de instabilidade emocional e de caráter. No soneto, os dois amantes mentem um para o outro em alguns aspectos. São infiéis no amor e se enganam tentando esquecer as próprias faltas, conscientes de suas mentiras. ( And the lies we each other help us forget our respective faults.)
            Destarte, o que existe é uma negação da verdade, uma falsidade, e quando isso acontece, qualquer relação torna-se inconsistente, sem embasamento.
            O eu poético, no soneto73, é descrito como um homem já velho e no leito de morte, (As on the death bed where it must finally expire) o que sugere, também, que está doente. Ele se compara como um tempo do ano em que há poucas folhas amarelas caindo dos galhos que se sacodem de encontro ao frio (In me you...against the cold) uma referência ao outono, ou seja, o fim da vida. Facilmente identificável em outro verso em que ele se compara a uma luz fraca, amarela (I am like a glowing ember/lying on the dying flame of my youth.) O poeta se encontra em seu leito de morte, consumido pelo amor ( e pelo tempo) que um vez foi seu alimento. Isso é percebido pela pessoa amada e ao invés de se afastar com  a situação, desistindo do amor, faz com que seu amor seja mais forte e determinado. (...Consumed by that...before long). Nesse soneto o poeta afirma que o amor vence a morte mesmo ele estando mais velho. Pelo contrário isso faz com que a pessoa amada não desista e o amor fica mais forte.
            No soneto 147, o amor é descrito como uma febre contínua, (My love is like a fever, still longing) e que  é, ao mesmo tempo, um alimento para a doença (Feending on that which prolongs the illness). O poeta trava uma luta interior, pois deseja a pessoa amada, embora esse desejo conduza à morte. E sofre com isso. Ele não consegue seguir a própria razão que já o abandonou por não ter sido ouvida. (...angry that I do not follow his directions/has left me and desesperate I find that desire leads to death which physic (reason). Para ele seus pensamentos e palavras são como as de um louco, no entanto, ela é negra como o inferno e escura como a morte. (My thoughts and my words are like a madman’s, lies foolishly uttered; for I thought you were moral and  bright (shining as a star)/ but you really are black as hell and dark as night).
            Esse amor descrito como uma doença física, que foge à razão não é um amor sadio, que traz sossego e bem-estar. Pelo contrário, leva à dúvida e ao desespero.

Trabalho apresentado para avaliação de aprendizagem da disciplina Literatura da Língua Inglesa do Curso de Letras - FAPAM - Professora Tatiana Bini
Créditos: Total- Good Job!


Lécia Freitas

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Resumo do livro OLGA de Fernando Morais



       Esse livro conta a história de Olga Benário, nascida na Alemanha em 1908, judia de classe média, cujo nome verdadeiro era Maria Begner, e que já na adolescência se aproximou da Juventude Comunista onde passou a militar ativamente.
         Ela era uma mulher linda, alta, de cabelos escuros e olhos azuis. Atraiu o jovem dirigente Otto Braun, com quem foi morar aos 16 anos de idade. Quando, em 1928, Otto foi preso em Berlim, Olga liderou o seu resgate e os dois fugiram para a União Soviética, onde receberam treinamento de guerrilha.
Olga começou a destacar-se no partido, aumentando suas atribuições, o que levou seu namorado a romper o romance. Aos 26 anos, foi escolhida para acompanhar Luiz Carlos Prestes, que estava naquele país. Ela já o admirava devido a sua façanha com a “Coluna Prestes”, quando, sob sua liderança, homens  caminharam 25 mil quilômetros a pé, enfrentado as tropas do governo brasileiro. No Brasil, Prestes seria o líder de uma Revolução que tentaria implementar o Comunismo no País. Os dois atravessaram a Europa, foram para os Estados Unidos, de lá para Santiago, Buenos Aires e finalmente o Brasil. Para esta longa viagem fizeram uso de um passaporte falso, passando-se por um casal em lua-de-mel, o que lhes permitiu que se conhecessem bem e se apaixonassem. Instalaram-se no Rio de Janeiro, onde logo começaram os preparativos para a revolução. Após o fracasso da Intentona Comunista de 1935, foram presos e nunca mais se viram. Já na prisão, Olga descobriu que estava grávida, o que a fez se sentir mais segura. Inutilmente, pois, Getúlio Vargas, querendo se aproximar do regime nazista, decidiu deportá-la, apesar de todas as tentativas de seus amigos para evitar sua transferência. Olga foi embarcada para a Alemanha e entregue à polícia nazista, sendo enviada a um campo de concentração. Exatamente após um ano de fracasso da revolução pretendida, nasceu Anita Leocádia. Nesta época, Dona Leocádia – mãe de Carlos Prestes – estava fazendo seus contatos para libertar a nora e a neta, mas o único acordo que conseguiu foi libertar o bebê quando secasse o leite da mãe. Ao completar  14 meses, Anita foi entregue à avó sem que a mãe soubesse do seu paradeiro. Somente após um mês, Olga recebeu uma carta de Dona Leocádia, informando que sua filha estava bem e sob seus cuidados. Na prisão, Olga liderou o grupo, instalando hábitos de higiene e organização, dando aulas às outras presas. Depois de passar por vários campos de concentração, em fevereiro de 1942, poucos dias antes completar 34 anos, Olga foi executada na câmara de gás. Prestes  tomou conhecimento da morte da companheira três anos depois, quando saiu da prisão anistiado por Getúlio Vargas.

Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Língua Portuguesa do Curso de Letras 
- FAPAM - Professora Cristina Mara 
Crédito: Total - Muito Bem!