sexta-feira, 3 de agosto de 2018


Por tantas vezes, mesmo sem me perguntar, eu disse sim
E hoje sem poesia, sem nenhuma poesia,
Eu digo que estou cansada
Cansada de ser como cão sem dono,
De andar ao redor de coisa nada
De me jogar ao vento
Em porto algum há alguém me esperando
Nem eu espero ninguém
Como cão faminto sem dono
Eu estou tão cansada
Mas não tanto que não possa dizer
O que lhe ofereci
Não lhe disse nada, não o afaogu
Então nada mais temos a nos dizer
Se me vem com mãos vazias
E o coração mudo
Apenas por vir, sem intenção de ficar
Não me venha mais 
Não me venha mais
Deixe que eu o esqueça
Como uma música
Que me emocionou, que eu ouvi dias e noites
Mas chegou ao fim.

Lécia Freitas



A vida. o real, não está nas coisas, nem nos acontecimentos, mas no entrecoisas. Na importância que se dá a eles. O que para muitos é motivo de alegria para outros pode ser motivo de muita consumação. Assim como o tempo em que acontecem. O que ontem era um sonho, hoje pode ser algo que se deve deixar para a própria paz de espírito.

Lécia Freitas





O contemporâneo busca nos livros, em vão, a sabedoria. É certo que o conhecimento está lá. A sabedoria, entretanto, alcança-se na observância do Universo. Posto que cada homem é um, observe, pois, os homens e terá a matéria rica e farta. Não poderá moldá-la nunca, ainda que o queira. Poderá apenas tocá-la com a alma e é certo que a partir daí serão transformados por toda a eternidade.


Lécia Freitas







Eu convidei aquele moço para me ajudar a carregar aquilo tudo.Porque estava crescendo demais, esparramando pelos cantos, igual Cipó de São João. Adoçou minha boca com o mel das flores, tolheu-me os braços, os passos, enquanto tomava conta de tudo. Só o coração que não! Por isso, convidei. Ele recusou! Fala pra ele!

Lécia Freitas















Eu andei ao seu redor, desde sempre. 

Desde antes de te encontrar já caminhava sobre seus passos.
E com o coração, te seguia
Eu te via no nevoeiro do tempo e já te imaginava.
E te chamei com todos os nomes que pudesse ter. 
Eu tinha certeza: era você, sempre foi você.

Lécia Freitas





Ao longo da vida roubamos das pessoas. Roubamos coisas, ideias, alegrias, projetos, esperanças e sonhos. Roubamos sem querer e mesmo querendo. Porque nem sempre somos capazes e o que é do outro nos chama a atenção. Às vezes, pagamos por isso, em outras até somos perdoados. E a vida segue! Tudo que roubamos pode ser recuperado, reconstruído. Isso alivia a consciência de uns. Entretanto, há algo que não se pode roubar. Porque não tem como refazer. Não podemos roubar de alguém a capacidade de sonhar. Porque isso é o que nos mantêm vivos . Não roube nunca de alguém a capacidade de sonhar. Isso não te será perdoado!

Lécia Freitas




A vaidade sempre foi o pior flagelo do mundo. A mãe de todos os pecados. De onde se origina a invisibilidade do semelhante, pelos pretensos donos do mundo.

Lecia Freitas