sexta-feira, 4 de maio de 2018

DURKHEIM, O FATO SOCIAL E A DIVISÃO DO TRABALHO



            Durkeim foi um dos fundadores da Sociologia alcançando o reconhecimento de outras ciências sobre a existência dessa. Isso possibilitou a construção de mecanismos de monitoramento da sociedade subsidiando as pesquisas nos campos da Sociologia e Antropologia. A partir daí, a análise dos fenômenos sociais chegou às  áreas como Medicina, Direito, História e outras. A sociologia cumpre seu papel  na transformação da sociedade propiciando uma evolução.
            A tônica da obra de Durkheim foi atribuir o critério científico ao conhecimento social, sendo que esse conhecimento deve considerar as diferenças que vigoram nas diversas realidades de nossa sociedade. Considera-se que a ordem social estabelecida não  permite  uma generalização, mas  possibilita o entendimento da dinâmica social em suas especificidades.
            Para Durkheim os fatos sociais devem ser tratados como coisas, ou seja determinado acontecimento, mesmo comum, mostra a constituição da sociedade,  possibilitando o seu estudo. O autor ressalta que não há afirmação de que os fatos sociais  sejam coisas materiais, mas que constituem coisas ao mesmo título que as coisas materiais, porém de formas diferentes. Os fatos sociais na visão de Durkheim, fazem parte dos fenômenos sociais, integrando-se como um todo. Podem ser dissecados, desmembrados, entendidos. Como o ato de estudar, por exemplo. Estudar é um fato social e pertence ao fenômeno social qual seja, a escola. O fenômeno social por sua vez, não pode ser decomposto. A escola é formada por diversos fatores que não podem ser desmembrados.
            Da mesma forma explica Durkheim, que os fenômenos sociais estão presos à sociedade e somente nela podem ser observados, tratando-os como coisa material, afim de compreender os elementos que influem na sua condição. O autor entende que os fenômenos sociais somente acontecem coletivamente, e consideram no seu estabelecimento a coerção e coesão social na condição de solidariedade em que são  realizados.
            A solidariedade, por sua vez, na interpretação de Durkheim é a permissão entre os sujeitos para a existência dos fenômenos. Não se pode afirmar, no entanto, que os indivíduos têm consciência do alcance do que fazem, ou seja, nem todos refletem sobre os próprios atos, a dimensão que suas ações alcançam.
            No caso da Educação, fatos interligados geram fatores para que ela ocorra. Sendo assim,  os condicionantes não se limitam aos agentes diretos, indo além do ambiente e das relações que se estabelecem dentro da escola. A educação resulta de um fenômeno social complexo, mais intenso e amplo. Importante entender que as relações que mantém a escola estão baseadas na “construção solidária” de todos os elementos que dela participam, e de que fala o autor. E que outros fenômenos vão produzir os sujeitos que compõem o mundo escolar. Todos os fatos que acontecem em torno da educação, e que por sua complexidade e quantificação  torna dificil relacionar, contribui para o entendimento de que a educação é um fenômeno social e que os elementos condicionantes  são fatos na condição material.
            Durkheim ensina que o entendimento da divisão do trabalho social é premissa para compreender os fenômenos produzidos pela sociedade. Para ele essa divisão atingiu uma complexidade tamanha que vem provocando conflitos entre os fatores que a compõem.
            Ressalta o pensador que a compreensão da ordem social, e dos fatos por ela produzidos, não pode ter como critério a individualidade e particularidade dos sujeitos, pela divisão social do trabalho. Isso que dizer que na sociedade industrial em que vivemos,  aumenta cada vez mais o  trabalho coletivo para atender a todas as necessidades crescentes  dos indivíduos.
            Dessa forma, não é possível observar de forma particular esses elementos, segundo o autor, que considera ser impossível enumerar a quantidade de pessoas que realizam atividades em nossa vida diária. Sendo assim, não é possível observar um comportamento padrão da vida social. Isso acontece mediante as condições de  todos e de cada um, gerado por um organismo formado por todos esses elementos de uma maneira solidária.
            A solidariedade pode ser entendida como o resultado dos fatores que interligam a vida humana. Nesse caso, ser solidário implica em estar integrado em relações estabelecidas pelas instituições sociais que compõem a sociedade. Sendo que o homem é um ser social, fazendo parte, portanto, da coletividade, e busca o sentido da própria existência dentro dela.  Porém, é a sociedade, com seus fenômenos sociais  que determina a individualidade. Significando que a sociedade concede ao homem integrar-se ao todo.
            Em sua obra, Durkheim esclarece que a Psicologia estuda o comportamento individual e a Sociologia tem como objeto de estudo o fato social. Entende-se que, segundo Durkheim, a psicologia observa realmente o comportamento individual, conquanto o fato social somente surge como resultado de fatos específicos produzidos pela sociedade, como um todo, e não de parte dela, ou seja, seus membros. O autor ainda explica que os fenômenos sociais obedecem normas como as dos fenômenos naturais, sendo necessário compreender o ambiente em que acontecem, as relações que os  sujeitos envolvidos favorecem, e os fenômenos relacionados.
            Durkheim estabelece haver dois tipos de solidariedade, sendo uma o ponto que liga o indivíduo à sociedade, sem intermediário e é denominada “solidariedade orgânica”;  a segunda, mais complexa,  é entendida nas relações sociais da divisão do trabalho social em que o indivíduo é apenas um componente, sendo que, aqui, o indivíduo depende da sociedade porque depende das partes que a compõem.
            O autor ainda explica que nas sociedades primitivas o sentimento de pertencimento e a fusão entre as crenças sociais e particulares são muito fortes, e se expressam na vida social de cada um e também na coletividade. Nas sociedades primitivas um indivíduo exerce várias funções o que não é possível na nossa sociedade. Enquanto as sociedades primitivas são vistas como “mecânicas”, a sociedade em que vivemos são consideradas “orgânicas”.
            Durkheim acrescenta que além dessas características, o dinamismo da sociedade apresenta a coesão e a coação. Sendo que a coesão implica numa ação unificada de diversos agentes com um mesmo objetivo. Exemplifica-se com as ações de um movimento de trabalhores que reivindicam direitos.
            Para explicar a coação, o autor utiliza o exemplo de uma sala de aula em que o professor e alunos estão unidos na prática educativa para o desenvolvimento de um conteúdo, havendo a coesão. Um aluno que tentar a indisciplina será coagido pelos colegas e pelo professor.
            Fatos como os exemplos podem ser observados em todas as instituições sociais. Durkheim argumenta que nossa sociedade é constituída de uma quantidade enorme de funções estabelecidades para atenderem as necessidades indviduais e coletivas. O autor ainda reforça que a divisão do trabalho social é a mais importante solidariedade entre os fatores sociais e, portanto deve ser valorizada. Enquanto outros valores podem se transformar e mudar de sentido, o trabalho deve ser preservado, para que não se coloque em risco a sociedade.

Lécia Freitas

           

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