Senti que o tempo é apenas um fio. Nesse fio vão sendo enfiadas todas as experiências de beleza e de amor por que passamos. Aquilo que a memória amou fica eterno. Um pôr do sol, uma carta que recebemos de um amigo, os campos de capim-gordura brilhando ao sol nascente, o cheiro do jasmim, um único olhar de uma pessoa amada, a sopa borbulhante sobre o fogão de lenha, as árvores do outono, o banho da cachoeira, mãos que seguram, o abraço do filho: houve muitos momentos de tanta beleza em minha vida que eu disse: ‘Valeu a pena eu haver vivido toda a minha vida só para poder ter vivido esse momento. Há momentos efêmeros que justificam toda uma vida’.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Análise de Discurso ---- 2
A Especificidade para
a Análise de Discurso
De
acordo com estudiosos, a Linguística possui dois núcleos: um “rígido” que está em contato com a Sociologia,
Psicologia, Filosofia, etc. Esse núcleo se ocupa da língua como se ela fosse
apenas um conjunto de regras e propriedades formais, ou seja, não considera a língua
produzida em outras estruturas históricas e sociais. O outro núcleo que se diz “instáveis”,
ao contrário, se refere à linguagem produzida em outras conjunturas históricas.
A Análise do Discurso pertence a essa última região, o que não significa que para
ela a linguagem não apresente também um caráter formal. A AD tem uma base linguística
regida por leis internas (morfológicas, fonológicas, sintáticas), sobre a qual
se constituem os efeitos de sentido. Um dos efeitos de sentido que a AD se
interessa é o da ambiguidade. Veja este diálogo:
STOCK: - Vinte anos atrás eu viva na base de sexo,
drogas e rock’n roll!
WOOD: - Eu também!
STOCK: - Passava noite e dia viajando com ácido,
escutando Jefferson Airplane...
WOOD: - Eu também!
STOCK: -...E fazendo sexo com Bete Speed, minha noiva!
WOOD: - Eu também!
(Chiclete
com Banana/Angeli)
Na tirinha,
a fala dos dois personagens possui um sentido de ambiguidade. Em termos linguísticos
o que permite essa ambiguidade é a presença do pronome possessivo da 1ª pessoa “minha”.
Outra questão é o advérbio “também” na expressão “Eu também”.
A
pergunta que os analistas de discurso fariam seria: por que essa ambiguidade
gera riso? Mas para a AD seria pouco. A pergunta subsequente seria essa: qual o
efeito da ambiguidade? A resposta reside na relação que os analistas de discurso
procuram estabelecer entre um discurso e suas condições de produção, ou seja,
entre um discurso e as condições sociais e históricas que permitiram que ele
fosse produzido e gerasse determinados efeitos de sentido não outros.
É
preciso esclarecer que, ao falarmos de especificidade da AD, que não há apenas
uma Análise de Discurso. Classicamente considera-se “uma” que mantém relação
privilegiada com a História, enquanto “outra” privilegia a relação com a Sociologia. A Análise
de Discurso que privilegia a História é de origem francesa e a que privilegia a
Sociologia é anglo-saxã. Há, entre as duas linhas, uma diferença teórica: a AD
anglo-saxã ou americana considera a intenção dos sujeitos numa interação verbal
e a AD francesa considera que esses sujeitos são condicionados por uma
determinada ideologia que predetermina o que poderão ou não dizer em
determinadas conjunturas histórico-sociais.
Apesar
das divergências, há um elemento comum entre as AD e diz respeito à própria especificidade
da AD: é o estudo da discursivização, ou seja, o estudo das relações entre
condições de produção dos discursos e seus processos de constituição.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Resumo
O fazer
docente
A
atuação de professores é um tema amplamente discutido pelos profissionais da
área. Isso porque a escola é fundamental na vida das pessoas. Daí a importância
de se ter professores e ensino com qualidade.
A docência exige preparo, atenção e dedicação.
O
que se pode observar é que parte das discussões sobre a Educação, atualmente, não se limita apenas em
como levar o aluno até a escola, mas o que fazer para que ele permaneça no
espaço escolar e como aperfeiçoar a sua aprendizagem.
Nesse
contexto, a formação de professores é um assunto de extrema importância já que resultados
no processo ensino-aprendizagem dependem, em parte, da atuação do professor. Essa formação deve se validar na teoria e na
prática, principalmente para aqueles que vão atuar na Educação Infantil em
que é indispensável observar o
desenvolvimento integral da criança. O educador, nesse caso, deve estar ciente
que a prática pedagógica e o cuidar são indissociáveis.
Os professores dos anos iniciais do
Ensino Fundamental, também deverão pontuar seu trabalho com versatilidade,
uma vez
que vão receber crianças ainda pequenas que devem ser reconhecidas com
suas singularidades e individualidades
no campo social, além da aprendizagem dos conteúdos curriculares.
Os
estudantes de pedagogia se deparam, ao longo do curso com teorias que vão
embasar o seu trabalho. Nesse processo de formação, ele deve refletir sobre as teorias e transformar todo esse saber em práticas
para o fazer docente. Considerando a realidade dos alunos.
Diante
disso, pode-se asseverar a validade de aliar a teoria à prática, uma vez que
aquela representa o conhecimento
cientifico que fundamenta o processo educacional, levando o professor a
refletir sobre suas ações com o objetivo de compreendê-las em seu movimento
histórico social.
No entanto deve-se considerar que
somente pelas próprias vivências será possível um repensar crítico e
construtivo, no sentido de contribuir para a formação do aluno como um sujeito pensante.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Sobre a ANÁLISE DO DISCURSO --- 1
Análise do Discurso
Análise do Discurso - trata-se de uma disciplina com origens na França, na década
de 1960, e em 1994. Madidier descreve sua função através das figuras de Jean
Dubois e Michel Pêcheux.
O
projeto da AD se inscreve em um objetivo político e a Linguística oferece meios
para abordar a política.
Na
conjuntura estruturalista, a autonomia da linguagem é reconhecida devido ao
recorte do seu objeto de estudo que é a língua. o estruturalismo de vertente
sausssureana define as estruturas da língua de acordo com a relação que elas estabelecem entre si dentro de um mesmo sistema
lingüístico.
A Linguística
então se impõe com relação às ciências humanas como uma área que confere
cientificidade aos estudos. Dessa forma,
Linguistica então para o projeto althusseriano, aparece assim: Como a
ideologia deve ser estudada em sua materialidade, a linguagem se coloca como
uma via por meio da qual se pode depreender o funcionamento da ideologia.
Já a
Linguística Saussureana fundada sobre a dicotomia língua/fala, permitiu a
constituição da Fonologia, da Morfologia, e da Sintaxe, mas não foi, segundo
Pêcheux, suficiente para permitir a constituição da Semântica, lugar de
contradições da Lingüística. Para Pêcheux, a significação não é
sistematicamente aprendida por ser da ordem da fala, portanto, do sujeito. E
não da ordem da língua, pelo fato de sofrer alterações de acordo com as
posições ocupadas elos sujeitos que enunciam.
A
partir da descoberta do inconsciente por Freud, o conceito de sujeito sofre uma
alteração substancial, seu estatuto de entidade homogênea passa a ser
questionado diante da concepção
freudiana de sujeito clivado, dividido entre consciente e o inconsciente. Lacan
faz uma releitura de Freud, numa tentativa de abordar com mais precisão o
inconsciente.
Lacan
assume que o inconsciente se estrutura como uma linguagem, como uma cadeia de
significantes latente que se repete e interfere no discurso efetivo, como se o
discurso fosse atravessado pelo discurso do Outro, do inconsciente. O inconsciente
é o lugar desconhecido, estranho, de onde emana o discurso do Outro e em
relação ao qual o sujeito ganha identidade. Assim o sujeito é visto como uma
representação. Lacan aborda esse inconsciente, demonstrando que existe uma
estrutura discursiva que é regida por leis.
Saussure
define o sistema linguístico a partir do critério
diferencial, segundo o qual na língua não há mais que diferenças. Não
atribuindo aos elementos do sistema nada de substancial, tomando suas
características independentes das características de outros elementos do
sistema, sem referi-las ou compará-las. Passa-se,
assim, do critério diferencial ao critério relacional, que delimita função do Outro no interior do sistema.
A
definição de cada elemento é uma definição de posição, ou seja, a sua
identidade resulta sempre da relação que um elemento, que ocupa uma determinada
posição inicial no interior do sistema, matem com outro elemento que ocupa uma
posição terminal.
O
sujeito dessubstancializado não está onde é procurado, ou seja, no consciente,
lugar onde reside a ilusão do “sujeito centro” como sendo aquele que sabe o que
diz e o que é, mas pode ser encontrado onde não está, no inconsciente, lugar
onde reside o Outro. Assim a identidade do sujeito lhe é garantida pelo lugar
do Outro, ou seja, por um sistema parental simbólico, como explica Santiago,
que os pais deixam de ser meros semelhantes, para se tornarem lugares na estrutura. Dessa forma, o pai, por
exemplo, pode surgir sob diferentes formas buscadas no imaginário – pai complacente,
pai ameaçador, etc
Essa
relação entre o sujeito e o Outro se apóia na oposição binária de Jakobson,
segundo a qual um remetente, ocupando uma posição inicial no processo de
comunicação, coloca-se em relação comunicativa com um destinatário, que ocupa
uma posição terminal no sistema de comunicação. Ele é apontado como
estruturalista pelo fato de abordar o processo comunicativo como um sistema
composto de elementos – remetente, destinatário, código, mensagem, contexto,
canal – que se relacionam no interior de um sistema fechado e recorrente, como
um circuito comunicativo.
Pode-se
perceber, até aqui, em que sentido Lacan recorre ao estruturalismo mais
especificadamente a Saussure a Jakobson. Há pontos em que divergem os caminhos
do estruturalismo e de Lacan. O primeiro é a inserção do sujeito na estrutura,
e o segundo ponto é a maneira como é concebida a relação do sujeito com o
Outro. Deslocamento que realiza a partir da concepção do processo comunicativo
de Jakobson. O pensamento lacaniano é fundamental neste momento inicial de
fundação da Análise do Discurso, ou seja, em que se pode perceber a relevância
do projeto lacaniano para a AD.
sábado, 22 de novembro de 2014
É sagrado, o sonho que nos move
O poema não é meu, a foto também não, nem tampouco a casa. Mas poderiam ser. A esperança é igualitária.Nivela sentimentos, sonhos... Quem sabe, um dia...
Minha casa é bela...Tão bela!
Tem paredes envelhecidas, tem flores na janela...
Tem sorrisos abrindo a porta, tem jardim, tem horta,...
É até meio torta, mas minha casinha é bela...
Não tem varanda, tampouco tem arandela,
mas é assim, bem assim, que gosto dela.
Tão bonitinha e simples minha casinha,
mas tem aconchego, alegria e ternura...
Tem pão, amor, paz e alegria com fartura.
Minha casa é arejada de abraços na entrada,
e nela a simplicidade resolveu fazer morada...
Tem telhado todo tosco, a sala é de reboco,
mas duvido, seu moço, se há casa mais bela!
E até hoje não sei, lhe digo com franqueza ;
Se é mais feliz quem vive aí rodeado de riqueza,
ou se sou eu aqui na minha casinha singela
Tão pobre, mas tão alegre, tão perfeita e tão bela!
Linda Lacerda
Poema para uma
casinha
Minha casa é bela...Tão bela!
Tem paredes envelhecidas, tem flores na janela...
Tem sorrisos abrindo a porta, tem jardim, tem horta,...
É até meio torta, mas minha casinha é bela...
Não tem varanda, tampouco tem arandela,
mas é assim, bem assim, que gosto dela.
Tão bonitinha e simples minha casinha,
mas tem aconchego, alegria e ternura...
Tem pão, amor, paz e alegria com fartura.
Minha casa é arejada de abraços na entrada,
e nela a simplicidade resolveu fazer morada...
Tem telhado todo tosco, a sala é de reboco,
mas duvido, seu moço, se há casa mais bela!
E até hoje não sei, lhe digo com franqueza ;
Se é mais feliz quem vive aí rodeado de riqueza,
ou se sou eu aqui na minha casinha singela
Tão pobre, mas tão alegre, tão perfeita e tão bela!
Linda Lacerda
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Amor que transborda...
Este texto, meu filho, João Vítor, me dedicou ao publicar no Facebook. Coração está que nem surda mão de pilão no peito. Obrigada, filho!
Só passei pra lhe dizer que...
Por mais que o tempo passe
E as estações se movam,
Ainda será minha estrela,
A mais linda, a mais radiante...
Será pra mim sempre bela,
Sempre amiga.
Podem todos me crucificar,
Mas sei que saberás a verdade
E com todas suas forças irá me defender
Como ninguém me defenderia.
Está presente em todos os felizes e tristes momentos.
Está sempre forte para vencer mais um desafio.
Por mais que eu cresça e amadureça,
Sempre serei seu fruto,
E orgulho total de minha raiz...
Te amo de forma insubstituível,
És robusto meu amor
És sincero meu afeto.
Trouxe-me ao mundo,
Agüentou toda dor
E sorriu ao me ver pela primeira vez.
Com muito carinho estou a pensar em você,
Pois de carinho me alimenta.
Minha mãe querida
Da mesma forma que deseja a mim saúde e felicidade,
Desejo-te também com toda certeza que tenho,
Em nome do grande valor que tem pra mim,
Te Amo Minha Mãe!!!
E as estações se movam,
Ainda será minha estrela,
A mais linda, a mais radiante...
Será pra mim sempre bela,
Sempre amiga.
Podem todos me crucificar,
Mas sei que saberás a verdade
E com todas suas forças irá me defender
Como ninguém me defenderia.
Está presente em todos os felizes e tristes momentos.
Está sempre forte para vencer mais um desafio.
Por mais que eu cresça e amadureça,
Sempre serei seu fruto,
E orgulho total de minha raiz...
Te amo de forma insubstituível,
És robusto meu amor
És sincero meu afeto.
Trouxe-me ao mundo,
Agüentou toda dor
E sorriu ao me ver pela primeira vez.
Com muito carinho estou a pensar em você,
Pois de carinho me alimenta.
Minha mãe querida
Da mesma forma que deseja a mim saúde e felicidade,
Desejo-te também com toda certeza que tenho,
Em nome do grande valor que tem pra mim,
Te Amo Minha Mãe!!!
sábado, 4 de outubro de 2014
Imaginação
Canção desse Rumor
Quem - estando ausente - entra no quarto
Quem deita ao lado meu, quem passa
No meu coração seus lábios quentes, quem
Desperta em mim as feras todas
Quem me rasga e cura
Quem me atrai?
Quem murmura na treva e acende estrelas
Quem me leva em marés de sono e riso
Quem invade meu dia após a noite
Quem vem – estando ausente -
E nunca vai?
Lya Luft, em "Secreta Mirada", 1997.
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